Agenda Acadêmica

– PET FACULDADE DE ECONOMIA – Programação da Agenda Acadêmica realizada na faculdade de Economia nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2009.

Exibição do Filme ENRON seguido de Debate sobre a crise econômica atual.
Coordenação: Prof.ª Lérida Povoreli, Prof. Marcelo Carcanholo/ Marcelo Badaró
Local, Dia e Horário: Auditório da Faculdade de Economia – 20/10, 14h.
Público Alvo: Alunos dos Cursos Pré-vestibulares da UFF e do 3ºano do Ensino Médio da Rede Pública de Niterói – Vagas: 100.

Jogo Interativo como Prática de Educação Tutorial (PET-Economia).
Coordenação: Prof.ª Lérida Povoreli.
Local, dia e horário: Auditório da Faculdade de Economia – 21/10, 14h.
Público Alvo: Alunos de 4 Cursos Pré-vestibulares da UFF – Vagas: 120 (30/ curso).

Exibição do Filme Milton Santos seguido de Debate.
Coordenação: Prof.ª Lérida Povoreli, Prof. Carlos Pinkusfeld/ Sérgio Nunes Pereira.
Local, dia e Horário: Auditório da Faculdade de Economia – 22/10, 14h.
Público Alvo: Alunos dos Cursos Pré-vestibulares da UFF e do 3ºano do Ensino Médio da Rede Pública de Niterói – Vagas: 100.

Postado por Isis Amorim.

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Boletim de Conjuntura

O PET Economia convida todos os alunos a participarem das reuniões do Grupo de CONJUNTURA ECONÔMICA .O próximo encontro será dia 23, Quarta-feira, às 14h na sala 14 do prédio da Economia. Contamos com a sua presença!

Postado por Luma Ramos

Processo Seletivo

O PET Economia gostaria de informar e desejar as boas vindas aos novos integrantes do grupo:
Eduarda de Castro Miguel e Edson Mendonça da Silva para as vagas de bolsistas e de João Victor Sibar e Victor Coimbra Cerqueira Saad para as vagas de não-bolsistas.

Postado por Luma Ramos

Boletim de Conjuntura 2009- Setor Externo

O texto abaixo foi escrito por Luma Ramos, Deborah Gandolfi e Juliana Santos e orientado por Carlos Pinkusfeld

Em 15 de setembro de 2008 o banco de investimento americano Lehman Brothers quebrou. Ao contrário do que ocorreu em outras instituições financeiras, como o AIG, CitiBank, por exemplo, o Lehman não foi salvo pelo Tesouro Americano e Federal Reserve (FED), e sua quebra acabou por transformar a crise das subprimes, que se arrastava desde agosto de 2007, num movimento internacional de contração do crédito com efeitos muito severos sobre a atividade econômica em todo o planeta.
Esses efeitos são perceptíveis nos dados macroecômicos agregados do quarto trimestre de 2008 e indicadores de crédito de todo o mundo capitalista. Entretanto, pelo menos em relação aos EUA, representam um agravamento, drástico é verdade, de uma tendência que se desenhou desde a implosão da bolha imobiliária com o início da crise das subprime como se pode ver na tabela 1.

Tabela 1 Crescimento Trimestral do PIB USA

Fonte: BEA

Situação oposta se verificava então na economia brasileira. Os três primeiros trimestres de 2008 haviam registrado a segunda taxa mais elevada taxa de crescimento do PIB desde que este indicador foi criado em 1991 . Não somente o PIB vinha crescendo de forma vigorosa como os componentes de demanda interna lideravam esse movimento. Além disso o investimento crescia acima do produto mostrando que quaisquer dúvidas quanto a capacidade da economia responder com aumento de capacidade produtiva a expansão da demanda eram, no mínimo, precipitadas. Esse comportamento do PIB e alguns indicadores externos suscitavam a hipótese de que a crise internacional que teve os EUA como seu epicentro poderia ter um impacto mais moderado no Brasil. Um resumo destas razões seria:
1) Como dito anteriormente o PIB vinha crescendo de forma sustentada a taxas elevadas para o padrão histórico brasileiro recente (os últimos 30 anos). O crescimento era puxado por componentes de demanda interna como crescimento do consumo e construção civil financiados pelo crédito doméstico, crescimento do investimento. Mesmo o gasto público vinha crescendo a taxas compatíveis com o crescimento agregado da demanda . Em resumo, era possível imaginar algum tipo de inércia em relação aos componentes de demanda interna sustentando o crescimento do PIB frente a uma retração da demanda externa.
2) Apesar das exportações terem sido fundamentais para explicar o ciclo expansivo pós 2004, sua participação na demanda agregada ainda era de cerca de 15% em 2008, a menor entre os componentes da demanda agregada. Assim, mesmo que o comércio internacional, e assim nossas exportações tivessem uma queda de 10%, por exemplo, seu reflexo direto sobre o crescimento do PIB seria de cerca de 1,5%, um valor que talvez pudesse ser compensado pelo desempenho melhor dos componentes de demanda interna.
3) Apesar de uma persistente deterioração no ano de 2008 as contas externas brasileiras ainda eram ao final desse ano perfeitamente financiáveis. Nosso déficit em transações correntes fechou o ano em 1,7% do PIB o que tanto em termos absolutos quanto comparativos internacionais não parecia um valor demasiadamente elevado.
4) Além de um déficit não muito elevado, ao contrário de vários outros países da Europa, o Brasil não tinha, no ciclo recente, elevado de forma sistemática seu endividamento externo, tendo também acumulado um nível de reservas no valor de aproximadamente US 200 bilhões em dezembro de 2008.
5) O sistema financeiro brasileiro não parecia contaminado pelo “lixo tóxico” da sub-prime, ou seja, nossos bancos não carregavam em suas carteiras títulos, ou pacotes de títulos, que incluíam hipotecas sub-prime e cuja perda de valor vinham acarretando graves problemas patrimoniais a instituições financeiras americanas e européias. Ademais, o ciclo recente de expansão creditícia havia sido levado a cabo com expansão de crédito doméstico, ao contrário de outras ocasiões, como 1998, por exemplo, em que eram permitidas operações de leasing para consumo de automóveis tendo como funding captações no exterior e indexação da operação ao dólar.
Apesar desses fatores parecerem relativamente incontroversos o fato observado no quarto trimestre de 2008 foi uma queda de cerca de 4,5% frente ao trimestre anterior. Este resultado coloca em cheque todas as hipóteses listadas acima e especificamente àquelas ligadas ao setor externo da economia. Nas seções seguinte procuraremos examinar essa situação com a análise do comportamento recente do setor externo e suas perspectivas para o restante do ano.

1 Comportamento recente das contas externas

1.2 Comércio
O déficit em transações correntes teve num curto período de tempo, entre meados de 2003 a fins de 2007, um comportamento praticamente único na história econômica brasileira: combinou uma razoável taxa de crescimento do produto com superávit em transações correntes. Tal resultado se deveu, basicamente, ao excelente desempenho das exportações. Na figura 1 vemos o saldo do balanço comercial se estabilizar em torno de US 50 bilhões passando a decair, no acumulado de 12 meses, a partir de 2008.
Gráfico 1

Esse resultado é explicado pela elevação das importações já que entre maio e setembro de 2008 as exportações cresceram em média ao mês no acumulado de 12 meses, 3,5%, uma taxa média superior a anterior, desde 2002 de cerca de 1,5%. Assim, ao menos no agregado, o câmbio valorizado até setembro de 2008 parece não ter prejudicado o desempenho das exportações. O resultado agregado é que o comportamento da balança comercial acabou por gerar um déficit em transações correntes de 1,7% do PIB em 2008 mas que foi facilmente financiado pelos fluxos financeiros do período como se verá a seguir.
Entretanto, o último trimestre do ano passado marca um mudança radical no comércio exterior. O gráfico 2 abaixo mostra essa situação. Pode-se ver como as exportações brasileiras tiveram um comportamento semelhante ao das exportações mundiais desde o início de 2005 e no último trimestre de 2008 praticamente idêntico. Registrou-se,para o Brasil e o mundo uma forte queda de cerca de 20% frente ao trimestre anterior.

Gráfico 2

Fonte: WTO e IPEADATA

Dado que a participação das exportações no PIB no terceiro trimestre era de cerca de 15% o efeito direto de uma queda como esta não teria capacidade de explicar o comportamento do PIB no terceiro trimestre. É claro que existem os efeitos indiretos do multiplicador do investimento, mas este não é um cálculo trivial.

Outro aspecto importante é um cálculo do impacto de tal reversão externa enquanto possibilidade desta gerar uma crise cambial. Caso a reversão externa criasse um déficit em transações correntes, não facilmente financiável dadas as condições de restrição de crédito internacional, os empresários e mesmo o Governo seriam forçados a adotar medidas de contenção de seus gastos. Em suma, os sinais de uma eventual crise cambial deteriorariam de uma forma muito concreta as expectativas dos empresários e forçariam o governo a abdicar de políticas fiscais anti-cíclicas.

Como observado acima o Brasil registrou em 2008 um déficit em transações correntes de 1,7% do PIB. Entretanto, até o terceiro trimestre esse déficit era facilmente financiado pelo fluxo de capitais externos como pode-se ver no Gráfico 3

Gráfico 3


Fonte: BACEN

Apesar da persistente deterioração das transações correntes desde meados de 2007 e a passagem de superávit para déficit em 2008, os fluxos de capitais foram em todo período de tal monta que permitiram uma contínua acumulação de reservas. Nesse ponto vale notar que ao contrário de alguns países com forte posição exportadora, o Brasil a partir de 2008 vinha acumulando reservas graças a entrada de capitais e não pela existência de um superávit estrutural das transações correntes. Esse ponto que relaciona acumulação de reservas e valorização cambial será melhor explorado abaixo.

Entretanto, o mesmo gráfico mostra uma expressiva reversão dos fluxos de capital no quarto trimestre de 2008. No acumulado de 12 meses esse fluxo ainda foi positivo mas no trimestre houve uma perda líquida de US$ 25 bilhões. A combinação de déficit em transações correntes e perda líquida de recursos financeiros levaram a uma desvalorização cambial e, certamente, uma deterioração de expectativas quanto a situação externa do país, com impactos diretos sobre as decisões de gastos de empresários e governo.

Ainda sobre essa deterioração dois fatos chamam grande atenção. Em primeiro lugar pode-se perceber, pelos gráficos acima que há uma relação direta entre uma piora do saldo comercial em 2008 e as transações correntes. Uma conta, no entanto, chama a atenção no balanço de transações correntes: o resultado líquido dos lucros e dividendos apresentado no gráfico 4.

Gráfico 4


Fonte: BACEN

Em boa medida uma piora no resultado líquido de lucros e dividendos já era esperada com o exacerbação do processo de desnacionalização da economia nos anos 1990. Esse movimento talvez esteja representado pela trajetória até 2005. Entretanto, depois desta data e principalmente em 2008, a verdadeira explosão dos lucros dividendos mandados ao exterior talvez indiquem outros fatores, entre os quais poder-se-ia incluir um componente especulativo, com as empresas aproveitando o câmbio valorizado para realizar ganhos elevados de suas filiais. Infelizmente, o Banco Central ainda não divulgou os resultados do Censo do Capital Estrangeiro realizado para o ano base de 2000. Dessa forma os dados primários de estoque de capital externo no país ainda são so de 1995, aumentando o erro de qualquer estimativa aproximada. Ainda assim a aprtir de estimativas do IEDI (IEDI 2009) sobre estoque de capital estrangeiro têm uma elevação permanente da taxa de retorno estimada sobre o capital estrangeiro com particular ênfase para o ano de 2008. A reversão ocorrida já a partir do quarto trimestre de 2008, ou seja, quando o câmbio, passa a se depreciar, confirmam a hipótese de um elemento especulativo nas remessas em 2008, mas não resta dúvida que a desnacionalização da economia ocorrida a partir dos anos 1990 coloca em cena um novo e importante elemento de pressão sobre as contas externas.

O outro componente importante diz respeito a conta financeira. Como dito acima, ela financiou com folgas o déficit em transações correntes até o terceiro trimestre de 2008, sofrendo um forte reversão após a eclosão da crise internacional. Vejamos como seus principais componentes se comportaram neste período.

Grafico 5


Fonte:BACEN

Como pode-se ver acima o destaque positivo do fluxo de capitais é o Investimento Direto Externo, não só bastante substantivo como também relativamente estável, mesmo frente a crise do quarto trimestre de 2008. No item outros, onde se destacam os empréstimos externos, o impacto da crise é visível. A restrição de liquidez internacional e a fuga para a segurança dos títulos da dívida americana resultaram numa repentina e forte contração do crédito externo. Esse movimento segundo o IEDI 2009 teve um impacto relevante sobre o crédito interno e explica em parte a queda do produto que apenas pela restrição do comércio internacional não se justificaria. Segundo esta instituição, apesar de no geral as instituições financeiras brasileiras estarem em situação confortável quando da eclosão da crise internacional, algumas de menor porte operavam extremamente alavancadas, e a restrição de crédito internacional acabou tendo um efeito contracionista sobre o mercado brasileiro, ainda que a saúde do sistema financeiro como um todo nunca estivesse em questão. Deve-se também lembrar que graças a existência de um sistema público de crédito que se manteve intacto a despeito das privatizações e desnacionalização, verificadas em vários outros setores, algumas situações mais delicadas em consequência da grave crise internacional, puderam ser contornadas, como no caso do financiamento da Caixa a Petrobras e da manutenção das linhas de crédito do BNDES ao investimento privado.
Finalmente, um elemento extremamente volátil composto pelos investimentos em carteira que já vinham se deteriorando por todo ano de 2008 passam a ser negativos desde setembro de 2008. Deve-se lembrar, mais uma vez, que a crise que se tornou agunda em setembro de 2008 já vinha se “arrastando” desde 2007 quando foi furada a cahamda bolha sub-prime. Assim, seria normal que recursos de carteiras de investidores internacionais fossem transferidos de aplicações em mercados emergentes para cobrir perdas com a queda dos ativos ligados aos mercados de hipotecas.

Perspectivas para o segundo semestre 2009

Das observações anteriores pode-se tentar responder à pergunta inicial sobre o por que da dimensão da retração do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2008. A fortíssima queda das exportações foram reforçadas por uma contração do crédito explicada em grande medida pela fuga de capitais a partir de setembro e por fim a ameaça de uma crise cambial de maiores proporções. Essa ameaça, de resto, se consubstanciou num movimento de desvalorização cambial que acompanhou, como era esperado, os meses de seguidos de fluxo negativo de dólares. O que em parte supreendeu foi a volatilidade muito grande que acopanhou essa desvalorização, explicado em boa medida pela existência de empresas extremamente alavancadas nos mercados futuros de câmbio. Várias empresas, inclusive não exportadoras buscando elevados ganhos de arbitragem, apostaram na continuação da queda do câmbio e quando essa situação se reverteu os bancos na ponta oposta das operações do futuro buscaram maximizar seus ganhos empurrando, de forma especulativa, ainda mais o câmbio na direção da desvalorização. A vítima mais notória desse comportamento empresarial especulativo foi a Sadia, mas uma vez realizadas todas as posições futuras pode o mercado apontar para uma desvalorização, aparentemente consistente com o novo quadro internacional e sem a volatilidade do último trimestre de 2008.

Não parece ser precipitado afirmar que uma crise de balanço de pagamentos parece estar definitivamente afastada dentro de um cenário realista para a economia brasileira e mundial. Tanto do ponto de vista comercial como financeiro os dados apontam nesta direção.

Inicialmente vejamos o comportamento recente das exportações.

Desagregando as exportações em quantum e preço como nos gráficos 5 e 6 pode-se observar que após a queda do ano passado já há claros sinais de retomada, ainda que modesta das quantidades vendidas. Em relação aos preços o gráfico é bastante feliz ao mostrar uma “escala” de volatilidade que é maior nos bens básicos e menor nos industrializados. Assim, a queda dos preços das commodities foi, de fato, expressiva em relação ao pico registrado em 2008. Esse valor era, entretanto, claramente exagerado, fruto inclusive de movimento especulativo que acompanhou a realocação de ativos resultante do estouro da bolha subprime. O índice do preço das dos bens básicos agora está acima do valor de março do ano passado e na média de 2007. Como as exportações de commodities tem um papel elevado na nossa pauta esse dado mostra que a crise teve m impacto modestíssimo sobre um importante componente do desempenho exportador. Os preços de manufaturados e intermediários, bem menos voláteis, também se encontram em patamar bastante satisfatório vis-a-vis períodos anteiores.

Gráfico

Fonte: Boletim Funcex de Comércio Exterior


Fonte: Boletim Funcex de Comércio Exterior

O repique nas vendas a partir do início deste ano parece refletir um relaxamento das condições de restrição de crédito do quarto trimestre que particamente paralizaram a economia mundial. Mas alguns fatores como o desempenho da China puxado por um significativo pacote fiscal podem fazer com que nossas exportações tenham um desempenho mais favorável no segundo semestre, como de resto já vem apontando análises da imprensa e várias as publicações de conjuntura.
Ainda em relação da demanda internacional parece que pouco se pode esperar da Europa, mas apesar de os dados ainda serem contraditórios há indicações que a economia americana já encerrou ou está por encerrar a sua queda livre iniciada depois da crise de setembro. Um dado pouco comentado e que ajuda a explicar o comportamento do PIB americano no primeiro trimestre diz respeito ao gasto público.

Tabela2

Fonte BEA

Apesar das propostas e pacotes fiscais expansionistas esse elemento importante para a recuperação dos EUA ainda não foram postos em prática, ao contrário, o comportamento fiscal foi contracionista no primeiro trimestre. Dado o complicado sistema fiscal dos governos sub-nacionais o efeito mais forte do pacote talvez só se faça sentir no segundo semestre quando, espera-se a economia já tenha atingido o piso da recessão.

Se pelo lado das exportações pode-se ter algum alento a situação das importações parece depender do comportamento que a taxa de câmbio apresentará. No gráfico abaixo construi-se um índice para o coeficiente de importação que estivesse livre do impacto da variação direta da taxa de câmbio pela utilização de índices de quantum de importações e produto. A seguir plotou-se no Gráfico 6 este índice contra um índice de câmbio real.

Gráfico

O resultado é um crescimento acentuado do coeficiente de importação à medida que o câmbio se valoriza. A desvalorização do final de 2008 parece dar um sinal de alterar essa dinâmica mas caso seja revertida, pode colocar uma pressão sobre a balança de pagamentos que limite o crescimento da economia no futuro próximo.

Em relação à conta de rendas das transações correntes pode-se no curto prazo esperar um alívio por parte do lucros e dividendos remetidos, mais uma vez, caso o câmbio permaneça desvalorizado, evitando assim mecanismos especulativos e reforçando a tendência já observada desde o final do ano passado. Outro componente que certamente se beneficiaria de um câmbio mais desvalorizado seriam os gastos com viagens internacionais que perfizeram um total de cerca de 9% do saldo de rendas e serviços. Esse é um número muito elevado, aind amais levando-se em consideração que em 2004 esta conta era levement positiva e no ano seguinte quando começa a ficar deficitária totalizava apenas 1,2% do déficit de rendas e serviços.

Finalmente va,or olhar com mais cuidado a conta financeira.

Tabela 3

Fonte: BACEN

Na tabela 3 vemos que o forte choque externo que gerou fluxos negativos em setembro já estava superado em abril. O IDE entretanto em nenhum momento ficou negativo, posto que dinâmica deste componente é bem menos volátil e responde, no caso brasileiro basicamente as condições do comportamento internos da economia.
Segundo a UNCTAD 2008 marcou o fim de um ciclo de crescimento do investimento internacional que começou em 2004. O mundo assistiu aos fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) alcançarem um recorde histórico de US $ 1,8 trilhões em 2007.Como já visto anteriormente a reversão internacional já estava a caminho desde o segundo semestre de 2007 se intensificando após setembro de 2008. Neste ano houve uma queda de 20% nos investimentos diretos no conjunto da economia mundial. Entretanto, os países desenvolvidos foram os mais afetados, já que suas economias foram muito afetadas pela crise e além disso tinham forte ligação e dependiam das instituições financeiras que faliram ou restringiram o crédito ao longo de 2008. Somente nesses países houve uma redução de 33% nos IDE.
Nos países em desenvolvimento, os investimentos não apresentaram uma queda tão brusca em 2008, uma vez que cresciam a taxas elevadas até a metade deste ano. Sendo que a América Latina e o Caribe apresentaram um aumento de 12,7% se comparado ao mesmo período em 2007 e a Ásia apresentou um aumento de 3,3%.

Ainda para a mesma entidade as expectativas sobre IDE para países em desenvolvimento, a despeito da crise pode não ser tão negativas. Por uma lado deve-se notar que a capacidade das empresas para investir tem sido reduzida por uma queda no acesso a recursos financeiros, tanto a nível interno – devido a um declínio nos lucros das empresas – quanto externo – devido a crise internacional de liquidez. Segundo: a propensão para investir tem sido afetada negativamente pelas perspectivas econômicas, especialmente nos países desenvolvidos que são atingidos por uma grave recessão. O impacto dos dois fatores é agravado pelo fato de, desde o início de 2009, por um nível muito elevado da percepção de risco o que está levando as empresas a limitar amplamente os seus custos e concentrar seus investimentos em programas para se tornar mais resistente a uma maior deterioração do seu ambiente empresarial.
Ainda assim há vários fatores positivos que e que provocarão, mais cedo ou mais tarde, uma recuperação dos fluxos de investimento internacional. Em primeiro lugar, um grande número de economias emergentes, como Brasil, China e Índia, mantiveram-se atraentes para investimentos diretos estrangeiros, especialmente para o mercado de procura de IDE. Eles mantiveram relativamente elevadas taxas de crescimento econômico (em comparação com economias avançadas) em 2008 e em 2009 estarão relativamente em melhor situação que várias economia avançadas. Como as expectativas continuam a deteriorarem-se nos países desenvolvidos, os investidores favorecerão as opções relativamente mais rentáveis disponíveis nos países em desenvolvimento.
Em segundo lugar, as crises financeiras e econômicas também oferecem oportunidades às empresas para comprar ativos de “barganha de preços” e tirar partido de consolidação da indústria de grande escala em algumas atividades. A aquisição de ativos subavaliados poderão aumentar os seus investimentos em ambos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, dependendo da circunstância e de oportunidades. Em terceiro lugar, as empresas ainda estão empenhados em aumentar o seu nível de internacionalização, a médio prazo, o que constitui um indicador significativo para uma recuperação no futuro dos fluxos de IDE. Conforme mostrado na World Investment Prospects Survey, 2008-2011 (UNCTAD, 2008A), grandes multinacionais ao redor do mundo ainda parecem estar ansiosas para prosseguir com as estratégias de internacionalização (e, portanto, aumentar as despesas em investimento a médio-longo prazo). Importa também sublinhar que, apesar de um declínio nos fluxos de IED, não existe até agora nenhum sinal visível de que a crise teve um impacto negativo na dimensão relativa do IDE /unidades populacionais. Em quarto lugar, novas fontes de IDE, surgiram, sobretudo dos países do próprio sul. As economias emergentes e países bem-dotados de recursos naturais são uma fonte crescente de investimento direto estrangeiro, quer através de estratégias de internacionalização realizadas pelas suas multinacionais, ou através das atividades de investimento, dos seus fundos soberanos. Esse é por exemplo visível nos movimentos da China com relação ao Brasil, Argentina e Venezuela.
A atuação de forças contrárias em relação ao IDE foi utilizada pela UNCTAD para formular 3 cenários. No mais pláusivel há uma queda do IDE, mas que ainda assim situar-se-ia numa faixa de US$1 trilhão o que dada a importância relativa do Brasil parece garantir-lhe um fluxo positivo importante para o anos de 2009.

Finalmente, a consequência positiva a crise de 2008 foi uma desvalorização cambial a partir do último trimestre. A taxa de câmbio que vinha sendo utilizada como principal elemento da política inflacionária era apontada por muito como um elemento explicativo para um piora da pauta de exportação brasileira, com excessiva dependência em commodities. Vimos também que pelo lado das importações ela implicou numa fortíssima expansão do coeficiente de importações o que poderia trazer uma piora da restrição externa ao crescimento econômico. Particularmente essa desvalorização não teve impacto inflacionário porque veio acompanhada por um choque de custos, pelo lado das commodities. Nunca é demais lembrar que o Banco Central promoveu uma forte valorização cambial para combater o choque de custos do início de 2008 através da elevação dos juros e utilizando-se do pretexto de limitar um suposto excesso de demanda na economia. No final de 2008 a situação se inverteu com o preço das commodities caindo o que abriu espaço para desvalorização cambial com impactos inflacionários mitigados.

Dada a discussão desenvolvida até este ponto podemos definir pelo menos dois cenários para a economia brasileira no restante de 2009.

Definitivamente está afastada a hipótese de crise cambial. Entretanto, a lentidão do Banco Central em reduzir as taxas de juros parece estar, através do fluxo de capital especulativo (ver tabela ), eliminando o efeito positivo da crise: a desvalorização cambial não inflacionária.

Esse efeito como visto tem impactos negativos tanto sobre a pauta de exportação como sobre o coeficiente de importação da economia.

O Banco Central, mesmo reduzindo de forma extremamente gradual as taxas de juros nominais poderia ser mais efetivo na política de esterilização do superávit cambial. Deve-se lembrar que a China a despeito de seu imenso superávit cambial consegue manter uma taxa de câmbio competitiva através da utilização de política do Banco Central de compra de reservas. No caso brasileiro parece que a política da autoridade monetária segue alguma meta informal de dívida pública associada a idéia de manter uma política de flutuação suja sem meta específica para o câmbio.

No final do ano passado o governo manteve uma posição de cautela em relação ao gasto público. Por um lado não atendeu as demandas pouco racionais de setores da opinião pública que em meio a uma forte crise deflacionária clamava por corte nos gastos correntes, indo na direção contrária da tendência expansionista mundial (ver Bastos 2009). Por outro manteve sua política de gasto inalterada esperando, talvez pela definição da situação externa.

Na atual conjuntura, segundo a análise aqui empreendida, é possível identificar uma melhoria das condições externas, ou um relaxamento da restrição externa, que permita uma política fiscal um pouco mais agressiva. Uma alternativa moderada seria apenas seguir uma tendência de política com estabilizador automático, ou seja,: manutenção dos gastos que em combinação com a redução da receita resultaria em menor superávit primário. Este, entretanto, não implicará necessariamente em maior déficit agregado, já que a conta de juros tende a cair com o relaxamento da rigidez da política monetária vigente. Uma maior velocidade desse ajuste seria então importante tanto do ponto de vista cambial como fiscal. O que parece claro é que as condições externas vigentes no primeiro semestre de 2009, dão condições a políticas expansionistas mais agressivas que possam fazer a reversão ocorrida após setembro de 2008 menos penosa à sociedade brasileira.

Postado por Luma Ramos, Integrante do PET Economia UFF

Análise de Conjuntura: Emprego

Aluno: Thiago Marino Leão Cardoso
Orientador: Marcelo Dias Carcanholo

Em meio ao cenário de retração econômica mundial é esperável não apenas a queda nas exportações e na produção de diversos países como o aumento do desemprego e a redução da renda também se apresentam como possíveis conseqüências da conjuntura internacional.

Procuraremos, aqui, analisar a reação da economia brasileira à crise econômica mundial através do estudo dos índices relativos ao mercado de trabalho e à renda dos trabalhadores brasileiros.

Teremos como objetivo, também, tentar determinar as condições futuras através da análise dos primeiros meses de 2009 como forma de destacar possíveis tendências.

Análise da Ocupação nas Regiões Metropolitanas

Podemos observar no Gráfico 1 – indica a evolução do número de pessoas ocupadas nos diversos setores das regiões metropolitanas – que tal indicador apresentou uma trajetória de crescimento desde o início do período apresentado. Tal tendência, abalada apenas por razões sazonais, manteve-se constante até dezembro de 2008 quando ocorreu uma redução de 353 mil empregos formais. Embora comum nesta época do ano, a redução de postos de trabalho excedeu a normalidade em função da retração econômica advinda da crise mundial e da inversão de expectativas da economia brasileira quanto ao ano de 2009.

Gráfico 1

Fonte: elaboração própria

No entanto, tais números não demonstram de forma segura as variações do Nível de Ocupação. Ao observarmos a Taxa de Ocupação podemos analisar com segurança a magnitude das oscilações observadas anteriormente em relação ao total da PEA. Como vemos no Gráfico 2 abaixo, esta redução na população ocupada representou uma queda de 2,25% da Taxa de Ocupação das regiões metropolitanas no Brasil.

Mesmo assim, é visível uma melhora nos índices de Abril e, como podemos perceber ao analisarmos os períodos anteriores, pode indicar uma recuperação do emprego nos próximos meses. Verifica-se, no período anterior representado, a tendência à queda da Taxa de Ocupação até o fim do primeiro semestre do ano e sua recuperação nos meses seguintes.

Apesar disso, é importante ressaltar a forte queda da Taxa de Ocupação além dos seus níveis normais em função da retração econômica e das perspectivas negativas quanto ao futuro indicando o aumento do grau de ociosidade da economia.

Gráfico 2

Fonte: elaboração própria

Análise da Distribuição da População Ocupada nas Regiões Metropolitanas
Em meio à redução na ocupação das pessoas em regiões metropolitanas pouco foi afetada a divisão entre as áreas de atividade.

De setembro de 2008 a abril de 2009 as atividades industriais perderam 0,67% do total relativo de trabalhadores enquanto os principais serviços cresceram, em importância, apenas 0,31%. Isto revela que não houve grandes variações específicas na distribuição dos empregos na economia e que os efeitos recessivos foram sentidos de forma relativamente semelhantes pelos diversos setores.

Gráfico 3

Fonte: elaboração própria

Análise do Salário Mínimo Real e do Rendimento Efetivo

Considerando um período desde o início do governo Lula somos capazes de observar o aumento progressivo tanto do salário mínimo quanto do seu valor real.

Gráfico 4

Fonte: elaboração própria

Já os Rendimentos Efetivos Reais dos trabalhadores metropolitanos, no entanto, obtiveram uma recuperação após a forte queda sofrida em 2003, da qual apenas se recuperaria, de forma consistente, em 2009.

Ao observarmos o Gráfico 4, percebe-se o fenômeno ocorrido durante o mês de dezembro, quando os rendimentos elevam-se consideravelmente. Desconsiderando-se este efeito, podemos perceber que os rendimentos apresentam um crescimento equilibrado neste período e que, em 2009, esta situação ainda não apresenta mudanças. Na verdade podemos observar que o “bônus” de fim de ano apresentou um valor considerável em 2008, contrariando os efeitos da crise neste ano.

Gráfico 5

Fonte: elaboração própria

Análise da Evolução do Desemprego

Ao observarmos os níveis de desemprego no Brasil, indicados pelo Gráfico 5, poderemos observar que tal índice apresentou tendência redutiva no período entre 2004 e 2008. Apesar de ter ocorrido um “pico” de desemprego em Abril de 2004 (13,1%) e um período de oscilação em 2006, todos os anos apresentaram, se analisados integralmente, uma redução desta taxa.

Mesmo com a desaceleração econômica iniciada na passagem do 3º para o 4º trimestre de 2008, a Taxa de Desemprego reduziu-se de 8% em Janeiro para 6,8% em Dezembro, que representou a menor taxa do ano.

No entanto, podemos observar uma considerável elevação de Dezembro de 2008 para Janeiro de 2009, de 6,8% para 8,2% (valor superior à Janeiro do ano anterior) e a continuidade do aumento do nível de desemprego até Março, onde alcançou o valor de 9%.

Apesar de haver um aumento considerável do Nível de Desemprego neste 1º trimestre de 2009 é possível notarmos um início de recuperação destes índices já em Abril.

Gráfico 6

Fonte: elaboração própria

Análise das Admissões na Indústria

Analisemos, agora, a reação da indústria a este momento da economia mundial. Podemos verificar de imediato que, ao contrário do indicado anteriormente, este setor apresenta uma tendência de repulsão de trabalhadores durante o mês de dezembro.

Notaremos, também, que os efeitos da crise atingiram primeiramente este setor e que desde outubro de 2008 a Taxa de Admissão se encontrava abaixo da média anual, assim como, também, da Taxa de Desligamento. Isto se deveu, provavelmente, à retração do comércio internacional e, principalmente, às negativas expectativas quanto ao desenrolar do panorama econômico em 2009.

Tal situação se mantém durante o início de 2009 e não apresenta fortes indicações de mudança, embora haja recuperação das taxas de admissão (recuperação esta que é equilibrada pelo aumento dos desligamentos).

Ao analisarmos o Gráfico 6, podemos observar a desproporcionalidade das demissões ao final de 2008, assim como o fraco rendimento das contratações nos primeiros meses de 2009.

Gráfico 7

Fonte: elaboração própria

Conclusões e Perspectivas

Percebemos, através das análises anteriores, que, desde o mês de outubro de 2008, o setor industrial da economia brasileira apresenta retração na geração de empregos. Tal tendência manteve-se nos primeiros três meses de 2009 onde a criação de empregos ficou aquém dos números apresentados nos anos anteriores apresentando, inclusive, desempenho negativo em janeiro. Isto, em conjunto com a redução de dezembro, que apresentou um desempenho muito pior do que o normal, indica um posicionamento pessimista dos empresários em relação ao ano de 2009 e à retomada do crescimento.

Como vimos, o setor industrial perdeu pouca importância no percentual de trabalhadores metropolitanos empregados o que indica uma redução equivalente nas demais áreas de atuação.

Tal relação é indicada, também, pelo crescimento do desemprego para patamares que superam os índices de 2008 e não indicam tendência de recuperação, embora o período de recuperação, ou crescimento, do emprego seja, justamente, os meses que seguem de junho a setembro.

Desta forma, torna-se prematuro construir uma perspectiva mais fechada para o resultado do final do ano. Embora possa existir uma perspectiva de recuperação impulsionada pelos contratos no meio do ano, a continuidade provável das expectativas recessivas dos empresários impedirá melhores desempenhos destes indicadores e o aumento do emprego.

Podemos, por outro lado, observar que o rendimento dos trabalhadores ocupados mantém sua trajetória de crescimento equilibrado e que tais condições não apresentam sinais de reversão, por enquanto, de acordo com os dados gerais.

Postado por:

Thiago Marino Leão Cardoso
Estudante de Economia na Faculdade de Economia da UFF
Integrante do grupo PET Economia/UFF
e-mail: thiago_mlc@ig.com.br

Análise de Conjuntura: Contas Nacionais

Alunos: Thiago Marino Leão Cardoso
Orientador: Marcelo Dias Carcanholo

O Brasil não passou incólume pela grave crise mundial que afeta ao mundo. Como observaremos nos tópicos seguintes, a retração no comércio internacional, a desvalorização cambial e a redução do consumo interno reduziram, consideravelmente, as expectativas de crescimento da economia brasileira no ano de 2008.

Poderemos observar que isto pode ser melhor sentido durante o último semestre do ano. Não faremos, aqui, uma previsão dos seus resultados no ano de 2009. Isto será feito separadamente nas outras seções deste boletim.

Análise da Variação dos Principais componentes do PIB no último Semestre de 2008

Após um contínuo período de aceleração da Taxa de Crescimento do PIB a preços de mercado (acumulada de 12 meses), iniciado no 3º trimestre do ano de 2006, esta apresentou, no 4º trimestre de 2008, uma redução de 4,43% em relação ao trimestre anterior, estabelecendo-se em 5,08%. Desta forma, o PIB brasileiro encerrou o ano com um valor corrente acumulado de R$ 2.889.718,58 milhões.

Gráfico 1

Fonte: elaboração própria

Durante o segundo semestre de 2008 foi possível observar a redução de diversos índices da economia brasileira, em especial no 4º trimestre onde quase todos apresentaram retração devido ao cenário mundial e às negativas expectativas que se formavam com relação ao futuro da economia.

Análise do PIB: Ótica da Oferta
Analisando o Produto Interno Bruto (PIB) através da ótica da oferta, podemos observar que, como apresenta o primeiro gráfico abaixo (Gráfico 2), todos os três setores econômicos, retirando-se a sazonalidade, retraíram-se, de forma geral, ao final do ano.

Neste cenário o Setor da Indústria, comumente expansivo durante o 4º trimestre, apresentou desempenho particularmente negativo, sofrendo forte redução produtiva no último semestre de 2008. Isto representou uma redução de 7,4%, em relação ao 3º trimestre de 2008, e de 2,03%, em relação ao mesmo período de 2007.

Ao mesmo tempo, podemos observar que o Setor de Serviços apresentou, também, um resultado incomum para este período do ano. Ao invés da normal expansão ao final do ano, o Setor de Serviços retraiu-se em 0,42% (desconsiderando-se a sazonalidade), em relação ao trimestre anterior.

Apesar disso, tanto o Setor Agropecuário quanto o Setor de Serviços apresentaram melhor rendimento em relação ao mesmo período de 2007 (crescimento de 2,38% e 2,68%, respectivamente). Por outro lado, o Setor da Indústria teve desempenho inferior em mais de 2% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

Assim, a Oferta Agregada da economia reduziu-se em 0,65% (com relação ao seu valor corrente) no último período do ano. Apesar disto, todos os setores foram capazes de manter um desempenho acumulado positivo ao longo de 2008, como podemos observar no Gráfico 3, indicando, assim, que não houve retração em relação a 2007.

Gráfico 2

Fonte: elaboração própria

Gráfico 3

Fonte: elaboração própria

Temos, então, uma forte colaboração da Oferta para a redução do crescimento do PIB ocorrida no 4º trimestre de 2008. Transfiramos nossa atenção, agora, para a Demanda.

Análise do PIB: Ótica da Demanda
Neste caso não encontramos resultados muito diferentes dos apresentados anteriormente. Com exceção do governo, todos os principais conjuntos de consumo foram reduzidos no 4º trimestre de 2008. Como vemos abaixo, no Gráfico 4, o aumento de gastos governamentais e a desvalorização cambial foram capazes de sustentar parte considerável da retração de forma que a Demanda Agregada da economia reduzisse-se em apenas 0,02% do seu valor corrente, em relação ao 3º trimestre.

A retração no mercado mundial pode ser observada pela redução tanto das exportações (11,45%) quanto das importações (10,12%) brasileiras em relação ao 3º trimestre de 2008. Entretanto, destes dois apenas as importações mantiveram rendimento positivo com relação ao ano de 2007, ampliando-se em 7,63% enquanto as exportações retraíam-se em 7%.

O consumo das famílias contraiu-se ao 4º trimestre, algo particularmente incomum neste período, e apresentou desempenho de -1,86% com relação ao 3º trimestre de 2008.

Seguindo sua tendência normal, a Formação Bruta de Capital Fixo também apresentou redução no 4º trimestre de 2008. Porém, tal redução foi mais representativa do que as que ocorreram nos anos anteriores e, assim, este índice contraiu-se em 13,38%. Esta redução também foi acompanhada por uma forte variação negativa nos estoques.

Na “contra-mão” deste movimento recessivo, os gastos do governo ampliaram-se, no 4º trimestre, em 8,85%, com relação ao trimestre anterior. No entanto, uma análise desta variável indica que tal movimento não pode ser visto como incomum e, desta forma, não representa uma surpresa. Devemos observar, contudo, que tais gastos já se expandiam desde o 3º trimestre de 2008, diferentemente dos anos anteriores, e, por este motivo, pode caracterizar uma ação do governo em relação à crise.

Gráfico 4

Fonte: elaboração própria

Assim como no caso dos setores produtivos, estes indicadores mantiveram uma taxa acumulada positiva ao final do ano. A exceção disto, no entanto, foram as exportações que sofreram redução de 0,6%, em 2008, em relação ao ano de 2007. Em valores correntes, no entanto, as importações não ultrapassaram as exportações, mantendo-se um superávit de R$ 2.686,00 milhões no 4º trimestre.

Podemos observar no Gráfico 5, assim como o fizemos ao analisar o setor produtivo, que ocorreu uma forte desaceleração nos indicadores de consumo da economia brasileira durante o 4º trimestre de 2008 que apenas não apresentou maior impacto devido à desvalorização cambial, redução das importações e aumento dos gastos do governo. Observamos, também, que as exportações já apresentavam uma tendência de desaceleração desde o segundo semestre de 2007, o que poderia ser conseqüência da valorização crescente do real frente ao dólar, e que sem um posicionamento ativo do governo sobre a questão, tende a haver um déficit na balança comercial brasileira.

Gráfico 5

Fonte: elaboração própria

Análise da Composição do PIB

Composição do PIB: Ótica da Oferta
Observando a participação dos diversos setores produtivos no PIB corrente de 2008, em relação ao mesmo período do ano anterior, observamos uma pequena queda na importância do Setor Agropecuário. Isto foi resultado, provavelmente, da queda nos preços das commodities e pouco influenciou na participação geral dos setores, tanto no último trimestre como no ano de 2008 como um todo. Os demais setores ganharam pouca importância, se comparado ao 4º trimestre do ano anterior (e regrediram ao compararmos a média anual).

Vemos, assim, que não houve grande mudança estrutural na divisão produtiva brasileira, por razão da crise, durante o último período do ano.

Composição do PIB: Ótica da Demanda
Observando os componentes da Demanda, por outro lado, encontraremos maiores variações. Primeiramente, a balança comercial brasileira (exportações – importações), que já apresentava, gradualmente, menor participação com o passar dos trimestres, reduziu-se para apenas 0,15% da Demanda e 0,36% no 4º trimestre de 2008 (analisado isoladamente). Isto se deve não à redução da participação das exportações, mas a uma crescente importância das importações (de 12,14% do PIB em 2007 para 14,11% em 2008).

O Consumo das famílias, no 4º período de 2008, manteve-se estável e reduziu-se em apenas 0,57% do total, compondo 60,73% da demanda total de 2008. Já os investimentos cresceram em importância na média anual, apesar da forte queda que apresentou no 4º trimestre.

Desta forma, os gastos da administração pública assumiram maior papel e colaboraram com quase 23,87% da demanda do último trimestre (um aumento de 5,4% em relação ao trimestre anterior e de 1,44% com relação ao 4º trimestre de 2007).

Temos, assim, uma tendência de redução da participação dos investimentos durante este período de crise, assim como uma aparente redução da importância da balança comercial e seu possível déficit caso as importações não sejam freadas. Por outro lado, vemos uma possível atuação do governo conforme sua participação torna-se mais importante no consumo da economia nacional.

Gráfico 6

Fonte: elaboração própria

Conclusões

Observamos, então, que a Oferta Agregada da economia brasileira não passou incólume pela crise e que foi afetada tanto pela redução da demanda interna quanto externa. Temos, também, a problemática tendência ao déficit na balança comercial devido ao aumento das importações e redução das exportações facilitadas pela valorização do Real frente ao Dólar.

Em resposta a estes indicadores, e representando as negativas perspectivas dos empresários com relação à economia em 2009, percebemos a redução dos investimentos.

Podemos concluir que caso o governo brasileiro não intervenha sobre a taxa de câmbio poderemos enfrentar um sério problema na balança comercial. Da mesma forma uma ação do governo faz-se necessária para estimular o consumo interno e, principalmente, a retomada dos investimentos e da produtividade por parte dos empresários para evitar um estado recessivo e o desemprego.

Postado por:

Thiago Marino Leão Cardoso
Estudante de Economia na Faculdade de Economia da UFF
Integrante do grupo PET Economia/UFF
e-mail: thiago_mlc@ig.com.br

Análise de Conjuntura do Setor Público

Alunos: Fernando Cruz e Gabriel Ramirez
Orientador: Victor Leonardo Araujo

Como se pode perceber pelo gráfico 1, o resultado primário para o ano de 2008 foi de 4,3% do PIB. É possível vislumbrar, no horizonte de uma década, os expressivos resultados primários obtidos pelas três esferas de governo, bem como a expressiva redução dos gastos com juros a partir de 2003.

Ao longo do ano de 2008, o resultado primário descreveu uma trajetória estável, favorecido pelo vigor da atividade econômica, que cresceu de forma acelerada até o terceiro trimestre, o que propiciava aumento da arrecadação fiscal. Nesse aspecto, merece destaque o bom desempenho do IR, Cofins, CSLL, Imposto sobre Importação (II) e IPI, este último puxado pelo alto crescimento da produção industrial na maior parte do ano.
A partir do último trimestre daquele ano, com o advento da crise internacional e o conseqüente resfriamento da atividade econômica, o resultado primário como percentagem do PIB sofreu uma importante redução. Neste sentido, observa-se uma queda na arrecadação bruta da receita federal de ordem de quase 12% na comparação do primeiro trimestre de 2009 com relação ao mesmo período do ano anterior, resultado das políticas de isenção fiscal adotadas pelo governo federal como forma de estimular a atividade econômica (redução do IPI para o setor automobilístico e, posteriormente, para o setor produtor de eletrodomésticos de linha branca). Assim, apesar da redução das despesas com pagamentos de juros, o déficit nominal voltou a crescer, atingindo 1,08% do PIB em outubro no fluxo de 12 meses.

Com relação ao perfil das despesas, o ano de 2008 caracterizou-se pela redução das bruta das despesas correntes, com ênfase na redução dos encargos com pagamentos de juros e encargos da dívida. O aumento das despesas de capital traz embutido o aumento de despesas referentes à amortização da dívida. O ônus do esforço fiscal também recaiu sobre as despesas com investimentos, que também recuaram em comparação com o ano de 2007 (Tabela 1).

Apesar da queda da arrecadação, os dados estão longe de sinalizar qualquer possibilidade de insustentabilidade fiscal para o ano de 2009. De acordo com o Gráfico 3 abaixo, a dívida líquida do setor público como percentagem do PIB tem descrito uma trajetória de queda consistente desde 2003. A redução da dívida líquida externa contribuiu largamente para a obtenção deste resultado. O esforço fiscal implementado pelo governo também contribuiu para este resultado, sendo importante notar a estabilização da dívida interna como proporção do PIB a partir de janeiro de 2008.

Deste modo, a implementação de políticas fiscais anti-cíclicas como resposta à desaceleração econômica somente será sustentável do ponto de vista fiscal se combinada com uma política de redução da taxa Selic, permitindo a redução das despesas com encargos e pagamento de juros da dívida interna e abrindo espaço para o aumento de gastos e/ou redução de impostos.

Política Monetária e Crédito

Boletim de Conjuntura
Política Monetária e Crédito
Alunos: Fernando Cruz e Cyntia Lima
Orientador: Victor Leonardo Araujo

Crédito

Seguramente, o crédito foi um dos mecanismos através dos quais a crise econômico-financeira que assolou o mundo em 2008 fez-se sentir no Brasil.
Como podemos perceber pela tabela 1 a seguir as operações de crédito apresentam uma inflexão a partir de setembro, crescendo a taxas cada vez menores e praticamente se estabilizando em 2009. As operações de crédito com recursos livres foram mais afetadas pelos efeitos da crise. Os dados do primeiro trimestre de 2009, indicam uma ligeira recuperação do crédito, sugerindo um lento retorno à normalidade vigente no período pré-crise.

A desagregação dos dados permite perceber que a crise afetou diferentes segmentos de maneiras distintas. Os gráficos 1 e 2 permitem notar de imediato a desaceleração do crédito livre para pessoa jurídica já em outubro, bem como seu decréscimo a partir de dezembro de 2008 com pico de 476.890,27 milhões de reais. Esse tipo de operação refere-se a recursos obtidos a taxas de juros livremente pactuadas entre tomador – no caso pessoa jurídica – e credor e portanto evidencia, principalmente a partir de dezembro , a contração nos planos de novos investimentos. Já os recursos livres para pessoa física mostram uma pequena desaceleração de outubro para novembro, com a retomada do crescimento a partir de então.
No caso dos recursos direcionados, realizados a taxas geralmente estabelecidas por regras ou repasses governamentais, aos setores rural, de habitação e de infra-estrutura, estes foram sustentados, sobretudo, pelos empréstimos do BNDES, que também sofreram desaceleração na entrada do ano de 2009, o que pode fortalecer a tese de que foi a demanda por crédito a grande responsável por sua queda.

É necessário enfatizar que, não fosse pela expansão dos empréstimos de bancos públicos como BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, os dados de crédito mostrar-se-iam mais desanimadores, dada a desaceleração dos empréstimos de bancos privados nacionais e estrangeiros. Assim, a expansão do crédito direcionado ou a aquisição de carteiras de bancos privados foi usada com uma ferramenta anti-cíclica após a pane financeira. De fato, o crédito direcionado sofreu uma desaceleração menor do que o crédito livre.

Os dados referentes ao spread bancário também sugerem um lento retorno à normalidade pré-crise. O gráfico 2 a seguir aponta a ocorrência de uma acentuada elevação do spread bancário a partir de setembro de 2008, tendo o seu ápice no mês de dezembro. O recuo ocorre já no mês de seguinte, de modo que, já em março, o spread bancário para pessoas físicas já recuou para o nível vigente em setembro. Já o spread para pessoas jurídicas, embora apresenta um ligeiro recuo a partir de março, está ainda distante dos patamares pré-crise. A redução da liquidez internacional gerada pela crise criou dificuldades de captação por parte dos pequenos e médios bancos, que têm importante expressão no crédito para micro e pequenas empresas. O resultado é o aumento das taxas de aplicação. A lentidão das condições do mercado financeiro internacional em retornar às condições normais explica a lentidão do retorno do spread bancário para pessoas jurídicas aos patamares pré-crise, o que deverá ocorrer nos próximos meses.

Juros e inflação

O surgimento de pressões inflacionárias durante o primeiro quadrimestre de 2008, originadas por choques de custos (commodities agrícolas e petróleo) levaram o Banco Central a iniciar, de abril a setembro, um movimento de elevação da taxa Selic. Além do choque de custos, o Banco Central identificara ainda a existência de um desequilíbrio grande entre oferta e demanda na economia sendo preenchido por aumento das importações, o que agravaria o déficit em conta corrente. Este quadro teria justificado, segundo o corpo técnico do Bacen, a implementação de medidas que conduzissem à desaceleração da atividade econômica. Assim, o movimento de elevação da taxa Selic foi iniciado em abril daquele ano. A manutenção dos juros em patamares elevados a partir de setembro era justificada pelo corpo técnico do Bacen pelas preocupações quanto aos prováveis efeitos inflacionários da desvalorização cambial ocorrida a partir do agravamento da crise, não obstante a queda dos preços do petróleo e das commodities agrícolas e seus prováveis efeitos deflacionários. Apesar da intensificação da crise internacional a partir de setembro de 2008, o Banco Central foi excessivamente lento em iniciar o movimento de redução da taxa Selic, o que somente ocorreu em janeiro de 2009, ainda assim de forma modesta.

De acordo com o gráfico 1 abaixo, as pressões inflacionárias decorrentes do item alimentos e bebidas foram arrefecidas, recuando quase 8 pontos percentuais no acumulado em doze meses desde junho de 2008, ápice da inflação neste item. Evidentemente, tal movimento não está associado às medidas contracionistas adotadas pelo Banco Central, mas à queda dos preços internacionais das commodities agrominerais. De todo modo, é importante constatar que as pressões inflacionárias que vigoravam no primeiro semestre de 2008 e que levaram o Banco Central a elevar a taxa Selic foram diluídas.

Na comparação entre preços monitorados e preços livres, os primeiros têm descrito trajetória de alta. Este movimento decorre dos contratos reajustados pelo IGP-M (tais como aluguel, serviços de telecomunicações, energia, etc.), índice que registrou forte aceleração durante todo o ano de 2008, mas que recuou fortemente a partir de janeiro de 2009. Espera-se, assim, um forte recuo dos preços monitorados à medida em que os efeitos da desaceleração do IGP-M façam-se sentir nos contratos a ele indexados.

Além de todos esses fatores que apontam para a inexistência de risco de aceleração inflacionária para o ano de 2009, somam-se a tendência de apreciação cambial combinada com a desaceleração econômica mundial.
Não havendo qualquer possibilidade de aceleração da inflação para o ano de 2009, o único empecilho para a redução da Selic seria a regra que determina a rentabilidade da caderneta de poupança. Em um cenário de Selic em queda, se a caderneta de poupança tornar-se mais atraente que os títulos públicos, o governo federal pode deparar-se com dificuldades para rolagem da dívida pública, sendo esta a razão apontada pelo Copom para impedir reduções mais acentuadas da Selic. As mudanças da regra estão em estudo pelo governo federal, sinalizando uma solução para breve, o que possibilitará novas reduções da taxa Selic.

Análise de Conjuntura da Indústria

Alunos: Rodolfo Nicolay e Lívia Martins

Orientadora: Lérida Maria Lago Povoleri

O agravamento da crise em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, passa a influenciar negativamente a indústria brasileira a partir de outubro de 2008. Até então, os indicadores industriais apresentavam crescimento do setor industrial. A partir de outubro de 2008, as indústrias passam a sentir os efeitos do agravamento da crise, apresentando uma tendência de retração verificada até ao final do trimestre, em dezembro. A partir de janeiro de 2009, o indicador de produção industrial, com dados dessazonalizados, esboça uma possível tendência de recuperação da atividade industrial. No mês seguinte, fevereiro de 2009 comparando com dezembro/08, o índice apresenta crescimento para a indústria geral, indústria extrativa e indústria de transformação de 3.98%, 1.94%, 3.37% respectivamente.

Destaca se o setor de Veículos Automotores que em fevereiro/09 cresceu 52.18% em relação a dezembro/08. Essa recuperação está sendo atribuída pelos orgãos de classe e por vários analistas como que relacionada com a medida do governo em reduzir o IPI sobre os veículos a partir de dezembro/08, o que vem estimulando a demanda por carros novos..

A partir da tabela 1, podemos observar que as atividades menos afetadas pela crise foram àquelas associadas às necessidades básicas, algumas como: bebidas e alimentos obtiveram crescimento comparando com o valor de outubro de 2008, ponto inicial da queda na produção industrial.

As atividades relacionadas à produtos químicos também obtiveram um crescimento considerável no período após o inicio da retração, onde comparando a variação mensal, observamos que o crescimento obtido entre outubro de 2008 e novembro de 2008 foi de aproximadamente 8,13% em refino de petróleo e álcool e 4,84% em outros produtos químicos.

As atividades mais atingidas pela crise foram àquelas relacionadas a bens de capital, metalurgia e bens de consumo duráveis, ou seja, aquelas que dependem do crédito e das exportações. A atividade de metalurgia vem sofrendo quedas constantes, dando destaque para os 18,64% de retração entre os meses de novembro de 2008 e dezembro de 2008, essa retração está associada também à inserção da China no mercado latino americano, fazendo o Brasil perder parte do seu mercado.

O setor de bens de capital sofreu uma retração forte a partir de outubro que permanece até o último dado obtido referente a março de 2009 sem esboçar nenhuma recuperação. A queda acumulada do período compreendido entre setembro de 2008 e março de 2009 chega a aproximadamente 33% para máquinas e equipamentos.

Em relação à utilização da capacidade instalada da indústria geral, é visível uma queda a partir do mês de novembro/08, até janeiro/09: no período a utilização da capacidade instalada despencou de 86,3% para 76,7%. A partir de janeiro/09 é notada uma recuperação tímida, mas que vem se mantendo, alcançando 77,6% em abril/09. Essa queda da utilização da capacidade instalada pode estar refletindo o pessimismo do setor, uma vez que o consumo e as exportações de industrializados se reduziram e também o crédito sofreu retrações.

O setor mais atingido foi o de bens de capital, este que apresentava a maior utilização da capacidade instalada, sofreu a maior queda e foi o que mais demorou a esboçar uma recuperação, que ainda é bem discreta, somente 0,6% de fevereiro para março. O maior impacto neste setor é reflexo da incerteza que se instala na economia em tempos de crise fazendo com que o investimento, que é o componente mais instável da demanda agregada flutue bruscamente. Em conjunto com o aumento da incerteza, podemos também citar a contração do crédito e a menor expectativa de vendas, principalmente nos setores voltados à exportação.

Gráfico 1 – Utilização da capacidade Instalada da Indústria média, bens de capital, bens de consumo e bens intermediários.

Fonte: FGV

Ao analisar se a exportação de produtos industrializados, percebe se uma nítida queda a partir de outubro de 2008, essa queda se intensifica em dezembro do mesmo ano e atingindo aproximadamente 5,9 bilhões de dólares em fevereiro de 2009, quando o valor em setembro de 2008 era de aproximadamente 12 bilhões de dólares, dessa forma, em valor, as exportações se reduziram à metade em 5 meses. Contudo, não podemos nos iludir com esses valores, nem toda movimentação no valor das exportações faz referencia à quantidade produzida pela indústria. Seria necessário desagregar as importações em preços e quantum para poder fazer uma análise mais consistente.

Gráfico 2 – Exportação de produtos industrializados em U$ milhões

Fonte: MDIC/Secex

Ao desagregar se as exportações de produtos manufaturados, percebemos que a redução não se deu apenas sobre a grandeza valor, o índice de quantum também sofre queda a partir de outubro de 2008, tendo janeiro de 2009 a maior queda registrada. Dessa forma podemos ter conclusões baseadas em dados mais palpáveis. A redução das exportações em quantidade, indica redução do mercado consumidor da indústria, a menos, é claro que essa redução fosse compensada pelo mercado interno. A queda das exportações é fruto da recessão enfrentada pelo mundo. Os sinais dessa redução nas exportações da indústria é nítido pela queda da utilização da capacidade instalada observado no gráfico 1 e pela queda da produção industrial observado pela tabela 1.

Gráfico 3 – Exportações – produtos manufaturados – quantum – índice (média 2006=100)

Fonte: Funcex

Analisando o índice de confiança do empresário industrial, onde valores acima de 50 significam expectativas otimistas, o 1º trimestre de 2009 é o primeiro trimestre desde o 4º trimestre de 2002 onde as expectativas dos empresários industriais são pessimistas assumindo um valor de 47,4. A partir desse índice, é possível compreender e justificar a redução da utilização da capacidade instalada nos últimos meses de 2008, onde na média do último trimestre o valor foi pouco maior do que 50, e principalmente em explicar a manutenção desse nível nos primeiros meses de 2009 uma vez que a expectativa se mostrou pessimista para 1º trimestre de 2009.

Gráfico 4 – Índice de confiança do empresário industrial (ICEI): geral

Fonte: CNI

Na indústria de bens de transformação, a utilização da capacidade instalada (UCI) em março/09 apresentou um crescimento de 0,5 ponto percentual comparado com o mês anterior, atingindo 78,7% (indicador dessazonalizado). Esse pequeno sinal de recuperação deve ser analisado com cautela, uma vez que o cenário industrial está em um nível baixo dando uma base de comparação muito fraca (BRASIL, 2009). Isto se comprova quando se compara com o mesmo período do ano de 2008, em que a UCI estava em 83,0%, uma redução de 4,3 p.p..

Os setores que se destacaram em um aumento da UCI no mês de março foram Veículos Automotores com aumento de 2,5 p.p.; Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (4,6 p.p.); Borracha e Plástico (3,8 p.p.); Couros e Calcados (4,0 p.p); e Alimentos e Bebidas (4,0 p.p) comparativamente com mês de fevereiro. Porém, se analisar estes setores com o mês de março de 2008, observa-se que UIC ainda está em um patamar abaixo. Apenas setor de Outros Equipamentos de Transporte apresentou melhora significativa em março comparando com o mesmo período de 2008, atingindo um crescimento da UIC de 6,1 p.p, embora esteja estável comparativamente com mês de fevereiro deste ano. O segmento de vestuário eleva sua UIC em 0.6 p.p entre mar/09 a marc/08. Comparando com o indicador de fevereiro/09, houve uma melhora de 2,4 p.p..

Postado por:

Rodolfo Nicolay
Estudante de Economia na Faculdade de Economia da UFF
Integrante do grupo PET Economia/UFF
e-mail: roddy_nic@hotmail.com