Balança Comercial – 1º Trimestre/2012

Luhan Martins Reigoto

O saldo da Balança Comercial no primeiro trimestre de 2012 foi de US$ 2,4 bi, sofrendo uma forte redução, de 22,39%, se comparado ao mesmo período do ano passado. As exportações somaram, no mesmo período, US$ 55 bi e marcaram um crescimento de 7,51% em relação ao primeiro trimestre de 2011. As importações totalizaram US$ 52,6 bi, com ampliação de 9,46% na comparação com o acumulado dos meses de janeiro, fevereiro e março do ano passado. A corrente de comércio foi de US$ 107,7 bi, com elevação de 8,46% frente ao primeiro trimestre de 2011. (Vide gráfico 1).

Gráfico 1

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Destaque para as exportações de produtos básicos (+7,61%), produtos manufaturados (+7,62%) e de produtos semimanufaturados (+4,00%). (Vide gráfico 2).

Destaque para as importações de bens de capital (+7,54%), de bens de consumo duráveis (+7,48%), de bens de consumo não duráveis (+22,14%), de combustíveis e lubrificantes (+18,69%) e de matérias-primas e produtos intermediários (+5,96%). (Vide gráfico 3).

Gráfico 2

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As exportações de produtos básicos alcançaram US$ 24,5 bi com expansão de 7,61% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. As exportações de produtos manufaturados somaram US$ 21,5 bi, mostrando evolução de 7,62% em relação ao mesmo período de 2011. As exportações de produtos semimanufaturados contabilizaram US$ 7,6 bi, crescendo 4% frente ao acumulado de janeiro, fevereiro e março do ano passado. As transações especiais foram de US$ 1,4 bi, com variação positiva de 26,62% do primeiro trimestre do ano corrente para o de 2011.

As tabelas a seguir, 1 e 2, deixam mais claro quais os principais produtos exportados pelo Brasil no trimestre e seus principais países destino.

Tabela 1

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 2

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Gráfico 3

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As importações de bens de capital totalizaram US$ 11,5 bi e apresentaram evolução de 7,54% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. As importações de bens de consumo duráveis representaram US$ 5,5 bi, com uma variação positiva de 7,48% frente ao mesmo período de 2011. As importações de bens de consumo não duráveis somaram US$ 4,4 bi, mostrando uma ampliação de 22,14% em relação ao respectivo trimestre do ano anterior. As importações de combustíveis e lubrificantes foram de US$ 8 bi, com crescimento de 18,69% frente ao acumulado de janeiro, fevereiro e março do ano passado. As importações de matérias-primas e produtos intermediários contabilizaram US$ 23,3 bi, com variação positiva de 5,96% em relação ao primeiro trimestre de 2011.

Nas tabelas a seguir, 3 e 4, podem ser vistos os principais produtos importados pelo nosso país e as principais nações fornecedoras.

Tabela 3

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 4

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Gráfico 4

Fonte: BCB. Elaboração própria.

A taxa de câmbio média do trimestre foi de R$ 1,77, com uma depreciação do real frente ao dólar de 6,03%, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Depreciação essa que favorece as exportações, deixando mais baratos os produtos brasileiros no exterior, e desfavorece as importações, pois os produtos importados ficam mais caros dentro do Brasil. A tendência de alta da moeda norte americana se confirma para o segundo trimestre de 2012.

Gráfico 5

Fonte: IBGE. Elaboração própria.

A inflação verificada no primeiro trimestre do ano corrente foi de 1,22%, mostrando redução em 1,2 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa redução, se mantida a tendência, mostra a possibilidade da taxa de inflação ao longo do ano convergir para o centro da meta estipulada pelo Banco Central do Brasil, que é de 4,5% ao ano.

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Mercado de Trabalho – 1º Trimestre

 André Salomão
Jean Joel

1 – TAXA DE ATIVIDADE E DESEMPREGO

            A taxa de atividade (gráfico 1) registrada no 1º trimestre de 2012 retomou o ritmo de crescimento registrado no mesmo período de 2009 e 2010 e interrompido no 1º trimestre de 2011. Houve uma elevação sutil de 0,17 p.p. (de 56,73 para 56,90%) entre os trimestres de 2011/2012, com destaque para a região metropolitana de Salvador, com um recuo de 2,03p.p.. Recife ainda ostenta o posto de menor índice de atividade (50,20%), contrastando mais de 10 p.p. com a RM de Belo Horizonte (60,17%), o maior índice. Rio de Janeiro registrou o maior aumento (+1,07 p.p.); São Paulo apresentou pequena baixa (-0,23 p.p.), Recife boa ascendência (+1,00 p.p.). É importante registrar as oscilações das regiões metropolitanas paulista e carioca, considerando que elas compõem 65,63% da população economicamente ativa (RJ: 23,93%; SP: 41,70%). Ampliando a análise para faixa etária, a taxa de atividade entre 25 a 49 anos registrou maior evolução (+0,005 p.p.), apesar de pequena. Todas as faixas oscilaram sutilmente, sem qualquer destaque específico.

Gráfico 1

Fonte: PME/IBGE. Elaboração Própria.

Em comparação aos trimestres correspondentes anteriores, o atual registrou a menor taxa de desemprego (ou desocupação, ver gráfico 2) desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, em 2002. O recorde, estabelecido em 5,80%, varia 0,53 p.p. negativamente em relação ao primeiro trimestre de 2011 (6,33%). Desagregando este número por RMs, Salvador demonstra o melhor desempenho, com recuo de 2,43 p.p., deixando no outro extremo Rio de Janeiro, única RM que marcou aumento (+0,77 p.p.). A região gaúcha ainda mantém a menor taxa (4,40%), com Belo Horizonte aproximando seus resultados (4,77%); em Salvador, persistiu a maior taxa (8,07%), apesar da substantiva redução.

Gráfico 2

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Por faixa etária, a maior redução foi assinalada entre 18 e 24 anos (-0,93 p.p.), marcando uma amplitude de 0,79 p.p. em relação ao menor recuo, verificado entre 50 anos ou mais (-0,14 p.p.). Lembra-se aqui que para as faixas de maior taxa de atividade, variações, mesmo que irrisórias, podem ser mais relevantes na análise; desta maneira, registra-se para 18 a 24 anos 13,23% de desemprego, variando -0,93 p.p., e 4,83% para 25 a 49 anos, com -0,23 p.p. de oscilação. Avaliando por grau de instrução, percebe-se que aqueles com 8 a 10 anos de estudo apresentaram maior taxa de desocupação (7,83%), apesar de descreverem recuo em comparação ao mesmo trimestre de 2011 (-0,40 p.p.). Para a faixa sem instrução ou com menos de 8 anos de estudo o índice registrou seu menor patamar (4,37%), apresentando a maior variação negativa (-0,70 p.p.).

Os dados elaborados pelo Dieese na PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) indicam mesma tendência verificada na PME, marcando o menor valor para o desemprego aberto até então (7,77%), menor 0,10 p.p. em comparação ao 1° trimestre de 2011. Porém, convém pontuar que a PED também produz informações acerca do desemprego oculto[1] (2,37%), que variou -0,46 p.p. na relação dos períodos equivalentes. No gráfico abaixo, apresenta-se o dado composto, qual seja a incorporação do desemprego oculto ao agregado aberto, registrando média de 10,13%, 0,57 p.p. menor em relação ao mesmo período de 2011. Percebe-se, no entanto, que o mês de março deste ano registrou aumento em relação ao do ano passado (+0,10 p.p.).

Gráfico 3

Fonte: PED/Dieese. Elaboração própria.

2 – OCUPAÇÃO E INFORMALIDADE

Como poderia ser inferido dos dados apresentados anteriormente, houve um robusto crescimento do número médio de ocupados (+1,85%) em comparação ao trimestre equivalente de 2011, o que implicou na criação de aproximadamente 409.000 postos de trabalho na relação entre os dois anos. Em termos absolutos de ocupação, todos os meses do trimestre foram superiores aos do período anterior.

Gráfico 4

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Analisando a evolução dos números por RM, todas as regiões sustentaram bons números. Recife registrou o maior acréscimo (+5,60%), precedida por Belo Horizonte e Rio de Janeiro (+3,55% e +1,71%, respectivamente).

Desagregando os dados conforme a distribuição setorial[2], com exceção dos serviços domésticos e outras atividades, que apresentaram recuos de 3,75% e 1,28% respectivamente, todos os outros setores apresentaram crescimento. São eles: construção (+5,95%), intermediação financeira (+4,34%), administração pública (+2,81%), comércio (+1,62%), outros serviços (+0,97%) e indústria (+0,37%). Lembra-se que na indústria teve um crescimento aquém dos seus desempenhos anteriores.

Gráfico 5

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

O peso dos setores em relação à população ocupada configurou-se da seguinte maneira: comércio (18,83%), indústria (16,21%), intermediação financeira (16,21%), administração pública (15,88%), construção (7,82%), outros serviços (17,87%), serviços domésticos (6,64%) e outras atividades (0,53%).

Quando realizamos o contraste a longo prazo das variações, nos primeiros trimestres, do peso relativo dos setores – ou seja, o quanto um setor aumentou ou diminiu seu peso na PO, estabelecendo como base fixa o 1° trimestre de 2003 (primeiro dado disponível da PME) – observamos no gráfico 6 que as tendências foram confirmadas: a intermediação financeira aumentou sua participação no agregado (+ 3,03 p.p.), enquanto indústria e comércio recuaram, respectivamente, -1,33 e -1,67 p.p..

Gráfico 6

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Considerando a população ocupada referente à posição, este trimestre confirma a tendência observada em 2011: houve um aumento de 481 mil, comparado ao primeiro trimestre de 2011, de empregados trabalhando com carteira assinada, um acréscimo de 4,13%. A formalização dos postos de trabalho é acompanhada, consequentemente, pela redução de empregados sem carteira assinada – na comparação com o trimestre equivalente, ocorreu uma diminuição de 226 mil pessoas nesta situação (-5,98%).  Em relação ao grau de informalidade (gráfico 7), o trimestre registrou o menor patamar já avaliado (34,11%), recuando 1,51 p.p. em comparação ao de 2011. Destaque especial para o mês de fevereiro, que contabilizou o menor índice desde o início da PME (33,80%).

Gráfico 7

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

3 – SALDO DE EMPREGADOS

O Ministério do Trabalho e Emprego através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que trabalha com dados formais – só leva em consideração as contratações e demissões registradas na Carteira de Trabalho com base na CLT – nos fornecendo o saldo de empregados.

O saldo de empregados (gráfico 8) ao longo do trimestre foi de 381.241. Olhando para o mesmo trimestre em 2011, temos 525.565 como saldo. Estes resultados mostram uma redução de 27,46% na comparação do saldo de empregados nos trimestres equivalentes.

Gráfico 8

Fonte: MTE/CAGED. Elaboração própria.

As admissões no trimestre contabilizaram 5.332.679, crescendo 2,29% na comparação ao período similar de 2011, que registrou 5.213.511 admissões. As demissões totalizaram 4.951,438, evoluindo 5,62% em relação ao primeiro trimestre de 2011, que somou 4.687.946.

4 – RENDIMENTO MÉDIO REAL E MASSA SALARIAL

O rendimento médio real habitualmente recebido neste trimestre apresentou um aumento de 4,25% em relação ao trimestre correspondente do ano passado, alcançando R$ 1.715,16 aproximadamente, um incremento de cerca de R$ 69,86.

Gráfico 9

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Na análise por RMs, comparando os trimestres equivalentes, Salvador lidera a lista de crescimento, incorporando impressionantes 17,73% de aumento (R$ 226,61), seguido por Belo Horizonte (7,55% ou R$ 115,00) e São Paulo (4,76% ou R$ 82,97), com Porto Alegre como a única RM que registrou defasagem no rendimento (-0,29% ou perda de R$ 4,63). São Paulo ostenta o melhor rendimento real médio (R$ 1.824,67), sucedido pelo Rio de Janeiro, com R$ 1.796,34; do outro lado, Recife manteve-se com o menor, cerca de R$ 1.226,36.

Abrindo por distribuição setorial, o setor de conta própria apresentou o maior aumento (4,85% ou R$ 68,58), mas tendo o menor rendimento entre os setores (R$ 1.484,09). O setor privado registrou um crescimento de 4,34% (R$ 63,12) com rendimento de R$ 1.516,00, e o setor público ostenta o maior rendimento de R$ 2.747,26, mas com o menor crescimento 3,51% (R$ 93,21).

Em relação à massa salarial (ver gráfico 10), 2011 alcançou a maior média dos primeiros trimestres até então, fixada em R$ 38,75 bilhões. Todos os meses do trimestre registraram variações percentuais positivas em relação aos meses correspondentes do ano anterior, com destaque para março, com acréscimo de 7,30%. Ressalta-se também que o desempenho deste mês marcou R$ 39,41 bilhões, o maior valor já registrado deste dado na PME.

Gráfico 10

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.


[1] O Diesse divide o desemprego oculto em duas categorias: pelo Trabalho Precário, englobando pessoas que, para sobreviver, exerceram algum trabalho, de auto-ocupação, de forma descontínua e irregular, ainda que não remunerado em negócios de parentes e, além disso, tomaram providências concretas, nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou até 12 meses atrás, para conseguir um trabalho diferente deste; e pelo Desalento, incluindo pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses.

[2] Os setores da economia são divididos da seguinte maneira: indústria, água, luz e gás; construção; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos e comércio de combustíveis; serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e financeiras; educação, saúde e serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social; serviços domésticos; alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais; e outras atividades. Para efeito de organização, convencionou-se nomeá-los, respectivamente, como indústria, construção, comércio, intermediação financeira, administração pública, outros serviços e outras atividades.

Análise de Conjuntura da Indústria – 2° Trimestre de 2012

Felipe Moraes

Orientadora: Lérida Povoleri

A grande expectativa de a Indústria brasileira retomar o crescimento ainda não foi alcançada, mesmo com inúmeros esforços das grandes instituições públicas visando reaquecer a economia nacional. Dentre os principais estímulos estão aqueles que mais são comentados na mídia, no caso, as reduções nas taxas de juros, o controle da ainda estável inflação, estímulo ao crédito e também o papel das desonerações buscando um estímulo ao consumo e consequentemente na demanda industrial.

O Segundo trimestre de 2012 não apresentou grandes mudanças em relação aos últimos trimestres, e as maiores surpresas estão no Comércio Exterior, onde no mês de Junho presenciou-se queda nos índices de quantidade tanto nas importações quanto nas exportações. O emprego manteve-se num patamar estável, enquanto a produtividade oscilou em torno de sua média de acordo com certa sazonalidade.

Um dos índices mais preocupantes na conjuntura atual, a Produção Física Média, por se tratar do principal meio de medir a atividade da Indústria, manteve a tendência de queda que já acontece a sucessivos meses. A situação torna-se mais preocupante ao ver que em Junho de 2012 o índice chegou a seu menor nível desde o início de 2010. No entanto, a queda não tem sido tão vertiginosa quanto no período de Julho até Novembro de 2011. Ao se comparar o desempenho da Indústria geral entre o primeiro e segundo trimestre de 2012, percebe-se queda de 1,2 pp. e a queda mais acentuada entre os meses de abril e maio, em 9 pp.

Gráfico 1

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Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Analisando a Produção Física Média entre as categorias de uso, verifica-se que mesmo com a queda na Indústria geral, um dos mais importantes setores elevou-se no Segundo trimestre, os Bens de Capital. Entre os meses de Março e Abril o crescimento alcançou os 4,71 p.p. e, mantendo-se praticamente constante em Maio para ter outro ligeiro crescimento em Junho (0,26 p.p.). Por sua vez, os Bens de Consumo Duráveis fizeram movimento oposto, acumulou queda nos meses de maio e junho, fechando o trimestre em queda. Os Bens Intermediários oscilaram no trimestre sofrendo queda em Abril e Maio, mas acabou se recuperando e fechando o trimestre em patamar superior ao que iniciou.

Gráfico 2

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Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Outro meio importante de se tirar conclusões sobre a Indústria doméstica é a utilização da capacidade instalada. Nela delimita-se o nível de uso dos recursos de produção dentro da economia. Mediante este fato, é plausível reafirmar a desaceleração da Indústria brasileira; os níveis estão em queda há um longo período, no entanto, estão numa queda menos vertiginosa no Segundo trimestre de 2012.

Ao fechar o mês de Junho no valor de 80,8%, o índice igualou o pior resultado desde o mês de fevereiro de 2010. No entanto, é comum a UCI aumentar no Segundo semestre do ano e, portanto, há sinais de recuperação.

Gráfico 3

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Fonte: CNI – Elaboração própria

Mesmo com o rendimento baixo na produção, a Produtividade da Indústria não sofreu tanto. As horas pagas sofreram redução de magnitude semelhante. Evidencia-se que essa situação não é favorável, pelo fato de estar em proporção semelhante, no entanto, em níveis mais baixos. Podem-se perceber também desempenhos extraordinários nos meses de Dezembro e Janeiro dos anos, com enormes variações positivas.

Como registrado anteriormente ao se calcular o índice de produtividade, as horas trabalhadas na produção estão oscilando em certa magnitude, o que evidencia a falta de produtividade da economia brasileira ao se contrastar com a Produção Física. Ao se calcular Produtividades Médias, por meio do cálculo da Média Móvel Mensal também se evidenciou a perda de produtividade que vem assolando a economia brasileira. Há o questionamento de que a perda de produtividade, somado aos aumentos salariais, tem papel relevante nas pressões inflacionárias atuais. No caso, os salários estariam acima da Produtividade Média provocando a perda da margem de lucro dos empresários e reduzindo a competitividade dos produtos internos, além de aquecer a demanda interna do país acima do normal.

Gráfico 4

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Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Gráfico 5

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Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Um interessante fato observado é como o emprego se mantém constante ao mesmo passo em que a produtividade média e a Produção Física estão em queda. Esse fato é um dos objetivos do governo ao tentar estimular a demanda através do consumo, no entanto, há chance de choque inflacionário. Contudo, não podemos ser tão otimistas em relação ao emprego, pois os níveis observados no segundo trimestre de 2012 são menores que o do mesmo período do ano anterior, mas ainda estão em patamar desejável.

O emprego na indústria na passagem do primeiro para o segundo trimestre desse ano, registrou uma queda de 6%, valor considerável frente aos resultados anteriores mais próximos. No entanto, ao longo do trimestre recuperou-se com taxas de 1% (Maio) e 3% (Junho), mas não suficientes para retornar ao nível antes estabelecido no final do trimestre anterior. Vale ressaltar que mesmo com o desempenho ruim da produção, o emprego manteve desempenho considerável, contribuindo para manter o nível de atividade da economia estável. A manobra usada para contornar a perda constante da participação da indústria no PIB é de manter a economia aquecida pelo consumo.

Gráfico 6

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Fonte: CNI – Elaboração própria

Como já mencionado as horas trabalhadas, que acompanham as horas pagas, têm oscilado em torno de uma média que tem se reduzido gradativamente. Essa constância evidencia a perda de produtividade da indústria doméstica. Tratando especificamente do segundo trimestre, os 2 primeiros meses tiveram queda de 0,6 (Março) e 1,3 (Abril), contudo, em Maio houve um desempenho surpreendente variando positivamente na magnitude de 1,8.

Gráfico 7

industria2012.2graf7.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Nas informações do mercado externo, tanto as exportações quanto as importações em seu índice quantum apresentaram no mês de Junho retração em, praticamente, todas as categorias de uso. No entanto, deve-se lembrar de que o mês imediatamente anterior, referente a maio, obteve aumentos em todas as categorias, sem exceções. A única categoria que não caiu em junho foram a dos Bens de Capital que, na verdade, ficou constante.

Muito dessa queda na quantidade exportada pode ser atribuída à ainda iminente crise nos países da Europa e alguns do MERCOSUL como, por exemplo, a Argentina. Mesmo esses países estando perdendo espaço na pauta de exportação do Brasil, ainda têm parcela considerável.

Nas importações, destaca-se a queda nos bens de consumo duráveis e também os Bens de Capital. Esses tipos de bens são os que têm maior participação nas importações e destacam a necessidade do Brasil de importar produtos de média-alta tecnologia. Ressaltando que esse fato não é recente e perpetua-se esse problema crônico ao longo da história do Brasil. Percebe-se que os Bens de Capital são os que menos oscilam na série histórica e, portanto, que sempre apresentam uma demanda semelhante. (gráficos 10 e 11 abaixo)

Gráfico 8

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria

Gráfico 9

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria