BALANÇA COMERCIAL – 2º TRIMESTRE DE 2012

Luhan Martins Reigoto

O segundo trimestre de 2012 apresentou, em geral, dois movimentos distintos, um crescimento frente ao primeiro trimestre de 2012 e uma queda se comparado ao segundo trimestre de 2011.

O saldo da balança comercial do segundo trimestre do ano corrente, que foi de US$ 4,6 bi, apresentou crescimento de 91,26% em relação aos três meses anteriores, mas se colocado lado a lado com os mesmos meses de 2011, sofreu uma queda de 52,74%. (Vide gráfico 1)

As exportações também seguiram o mesmo padrão, porém com proporções diferentes, totalizando US$ 62,1 bi no segundo trimestre de 2012, ampliando-se 12,81% frente ao trimestre imediatamente anterior e sofrendo redução de 7,36% contra o segundo trimestre do ano passado. (Vide gráfico 1)

As importações contrariaram levemente essa tendência, pois mostraram um crescimento mínimo na equiparação ao segundo trimestre de 2011, elas contabilizaram US$ 57,5 bi no acumulado dos meses de abril, maio e junho de 2012, com variações positivas de 9,19% e 0,41% na comparação com o primeiro trimestre do ano corrente e com o segundo trimestre do ano anterior respectivamente. (Vide gráfico 1)

A corrente de comércio, mantendo a tendência, somou US$ 119,6 bi no segundo trimestre de 2012, variando 11,04% frente ao trimestre anterior e caindo 3,78% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. (Vide gráfico 1)

Gráfico 1

image001

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

EXPORTAÇÕES

As exportações, detalhadas por fator agregado realçam a tendência de crescimento frente ao primeiro trimestre de 2012 e redução frente ao segundo trimestre de 2011.

As exportações de produtos básicos representaram US$ 31,3 bi, mostrando crescimento de 27,47% na comparação com trimestre anterior e redução de 6,63% para o mesmo trimestre do ano anterior. (Vide gráfico 2)

As exportações de produtos manufaturados somaram US$ 21,8 bi, ampliando-se em 1,08% se relacionado ao primeiro trimestre de 2012 e regredindo 7,44% se relacionado ao segundo trimestre de 2011. (Vide gráfico 2)

As exportações de produtos semimanufaturados totalizaram US$ 7,6 bi, evoluindo 0,29% frente aos três meses anteriores de 2012 e uma retração de 16,05% frente ao segundo trimestre do ano passado. (Vide gráfico 2)

As transações especiais registraram US$ 1,5 bi, com crescimento de 4,05% em relação ao acumulado dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2012 e redução de 1,28% em relação ao acumulado dos meses de abril, maio e junho de 2011. (Vide gráfico 2)

Gráfico 2

image004

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As tabelas a seguir detalham melhor os principais produtos exportados pelo Brasil e seus principais países compradores. (Vide tabelas 1 e 2)

Tabela 1

Exportações – Fator agregado

2º tri/2012

Variação

Variação

Variação

US$ (FOB)

US$

Kg

US$/t

PRODUTOS BÁSICOS

Soja mesmo triturada

8.699.981.418

20,70%

10,76%

8,74%

Minérios de ferro e seus concentrados

8.067.779.218

-21,08%

2,13%

-22,67%

Óleos brutos de petróleo

5.095.944.957

-14,99%

-18,26%

3,46%

Carne de frango congelada

1.688.652.868

-7,92%

2,36%

-10,07%

Farelos e resíduos da extração de óleo de soja

1.675.005.609

-6,67%

-11,05%

4,38%

PRODUTOS MANUFATURADOS

Óleos combustíveis

1.343.823.723

17,70%

16,61%

0,74%

Aviões

1.246.701.857

56,65%

63,15%

-4,78%

Partes e peças para veículos automotores e tratores

933.889.696

-11,17%

-11,62%

0,66%

Automóveis de passageiros

932.561.491

-10,41%

-15,29%

6,02%

Máquinas e aparelhos para terraplanagem, perfuração, etc

595.534.125

6,03%

1,62%

4,14%

 PRODUTOS SEMIMANUFATURADOS

Açúcar de cana em bruto

1.680.626.925

-31,83%

-28,95%

-3,94%

Pastas químicas de madeira

1.132.095.694

-5,78%

2,12%

-7,73%

Produtos semimanufaturados de ferro ou aços

1.077.198.463

-17,37%

-4,33%

-13,30%

Ferro-ligas

742.765.288

12,36%

22,84%

-8,10%

Óleo de soja em bruto

671.037.281

32,77%

37,12%

-3,49%

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 2

Exportações – Países e produtos – (FOB) – US$

2º tri/2012

Variação

CHINA

13.265.735.656

2,78%

Soja mesmo triturada

6.654.546.732

30,83%

Minérios de ferro e seus concentrados

3.564.022.892

-26,89%

Óleos brutos de petróleo

1.158.981.270

-19,31%

ESTADOS UNIDOS

6.796.941.214

0,23%

Óleos brutos de petróleo

1.759.467.719

2,19%

Produtos semimanufaturados de ferro ou aços

456.145.558

-15,52%

Ferro fundido bruto e ferro “spiegel”

221.399.493

-34,26%

ARGENTINA

4.275.993.919

-24,54%

Automóveis de passageiros

772.674.967

-8,41%

Partes e peças para veículos automotores e tratores

451.603.464

-26,16%

Veículos de carga

224.567.608

-35,25%

PAÍSES BAIXOS

3.626.614.666

-4,17%

Óleos combustíveis

473.339.543

148,56%

Minério de ferro e seus concentrados

465.760.417

-37,41%

Farelo e resíduos da extração de óleo de soja

455.808.093

-7,88%

ALEMANHA

1.856.210.426

-19,55%

Café cru em grãos

246.785.683

-37,19%

Minério de ferro e seus concentrados

230.241.042

-26,69%

Farelo e resíduos da extração de óleo de soja

162.524.922

-17,43%

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

 

IMPORTAÇÕES

            As importações, diferentemente do saldo da balança comercial e das exportações, não apresentaram a mesma tendência dos seus antecessores, pois tiveram comportamento mais heterogêneo. Mesclando queda e crescimento frente ao primeiro trimestre de 2012, como também ao segundo de 2011.

As importações de bens de capital somaram US$ 12,5 bi no segundo trimestre de 2012, com evolução de 8,60% na comparação com o trimestre anterior e de 3,81% para o mesmo período do ano anterior. (Vide gráfico 3)

As importações de bens de consumo duráveis representaram US$ 5,4 bi no segundo trimestre do ano atual, com quedas de 1,70% e 7,34% em relação ao primeiro trimestre de 2012 e ao segundo de 2011, respectivamente. (Vide gráfico 3)

As importações de bens de consumo não duráveis totalizaram US$ 3,9 bi no acumulado dos meses de abril, maio e junho de 2012, apresentando redução de 11,55% frente aos três meses anteriores e um crescimento de 4,27% para os mesmos meses do ano anterior. (Vide gráfico 3)

As importações de combustíveis e lubrificantes contabilizaram US$ 10,9 bi no segundo trimestre do ano corrente e teve resultados positivos se analisados com o primeiro de 2012 e o segundo de 2011, que foram 37,57% e 11,75%, respectivamente. (Vide gráfico 3)

As importações de matérias-primas e produtos intermediários foram US$ 24,8 bi no segundo trimestre de 2012, com ampliação de 6,39% frente ao trimestre imediatamente anterior, e redução de 4,27% para o mesmo trimestre de 2011. (Vide gráfico 3)

Gráfico 3

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Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As tabelas abaixo deixam mais claro os principais produtos importados pelo Brasil e seus países de origem. (Vide tabelas 3 e 4)

Tabela 3

Importações – Categorias de uso – (FOB) – US$

2º tri/2012

Variação

BENS DE CAPITAL

Maquinaria industrial

4.285.394.455

3,64%

Maquinas e aparelhos de escritório, serviço científico

2.034.303.409

4,62%

Partes e peças para bens de capital para indústria

1.730.720.233

-0,03%

Equipamento móvel de transporte

1.643.600.427

31,77%

Acessórios maquinaria industrial

818.888.525

-1,59%

BENS DE CONSUMO DURÁVEIS

Veículos automóveis de passageiros

2.511.532.848

-18,51%

Máquinas e aparelhos de uso doméstico

1.186.656.088

1,32%

Objetos de adorno, uso pessoal e outros

954.452.084

11,24%

Partes e peças para bens de consumo duráveis

296.125.299

7,73%

Móveis e outros equipamentos para casa

247.563.617

6,17%

BENS DE CONSUMO NÃO DURÁVEIS

Produtos farmacêuticos

1.386.673.015

6,26%

Produtos alimentícios

1.064.699.796

-5,51%

Vestuário e outras confecções têxteis

496.564.450

21,00%

Produtos de toucador

243.151.463

-1,28%

Bebidas e tabacos

141.377.235

5,63%

MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS

Produtos químicos e farmacêuticos

6.784.916.223

-2,51%

Produtos minerais

5.157.132.760

-3,42%

Acessórios de equipamentos de transporte

3.529.867.499

2,11%

Produtos intermediários – partes e peças

3.354.765.035

2,79%

Outras matérias-primas para agricultura

2.148.733.681

-21,40%

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 4

Importações – países e produtos – (FOB) -US$

2º tri/2012

Variação

ESTADOS UNIDOS

8.325.460.856

-2,74%

Óleos combustíveis

731.904.842

60,53%

Motores e turbinas para aviação e suas partes

485.567.184

19,94%

Hulhas, mesmo em pó, mas não aglomeradas

343.545.729

-28,27%

CHINA

7.874.114.647

4,24%

Partes de aparelhos transmissores ou receptores

455.132.367

13,30%

Partes e acessórios de máquinas automáticas para processamento de dados

428.872.906

57,94%

Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades

350.513.845

6,64%

ARGENTINA

3.771.531.244

-11,96%

Automóveis de passageiros

812.928.955

-26,58%

Veículos de carga

501.973.338

43,31%

Trigo em grãos

345.487.157

-13,86%

ALEMANHA

3.741.375.783

-4,63%

Medicamentos para medicina humana e veterinária

270.796.075

-0,49%

Cloreto de potássio

213.381.414

64,13%

Partes e peças para veículos automotores e tratores

150.743.361

-21,17%

CORÉIA DO SUL

2.471.150.542

-10,26%

Automóveis de passageiros

368.597.848

-36,01%

Partes de aparelhos transmissores ou receptores

315.250.154

3,39%

Circuitos integrados e micro conjuntos eletrônicos

175.773.081

1,16%

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

A tabela a seguir, faz uma relação das importações via preços e quantidade, por isso, está aberta por fator agregado.

Tabela 5

Importações – Fator agregado

2º tri/2012

Variação

Variação

Variação

US$ (FOB)

US$

Kg

US$/t

PRODUTOS BÁSICOS

8.272.147.742

-7,38%

-5,44%

Petróleo em bruto

4.525.050.770

3,07%

3,19%

0,03%

Gás natural

936.939.180

58,08%

17,46%

34,12%

Hulas, mesmo em pó, não aglomeradas

682.976.634

-31,17%

-23,23%

-10,24%

PRODUTOS MANUFATURADOS

46.977.952.515

2,49%

-1,01%

Automóveis de passageiros

2.298.279.084

-20,32%

-22,34%

2,59%

Óleos combustíveis

2.293.900.359

20,40%

14,81%

3,89%

Naftas

1.751.603.315

32,25%

25,59%

3,82%

PRODUTOS SEMIMANUFATURADOS

2.243.633.196

-9,84%

-25,29%

Cloreto de potássio

806.275.429

-18,28%

-30,90%

18,31%

Catodos de cobre e seus elementos

526.771.217

-8,61%

2,68%

-11,18%

Borracha sintética e borracha artificial

214.677.265

21,22%

7,88%

12,22%

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TAXA DE CÂMBIO

            A taxa de câmbio média do segundo trimestre de 2012 foi de R$/US$ 1,96. Taxa que apresentou crescimento de 11,06% frente ao primeiro trimestre de 2012, cuja taxa de câmbio foi de R$/US$ 1,77. E na comparação com o segundo trimestre do ano passado, mostrou ampliação de 23,07%, cuja cotação era R$/US$ 1,60. (Vide gráfico 4)

Gráfico 4

image007

Fonte: BCB. Elaboração própria.



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Análise de Conjuntura da Indústria – 2° Trimestre de 2012

Felipe Moraes

Orientadora: Lérida Povoleri

A grande expectativa de a Indústria brasileira retomar o crescimento ainda não foi alcançada, mesmo com inúmeros esforços das grandes instituições públicas visando reaquecer a economia nacional. Dentre os principais estímulos estão aqueles que mais são comentados na mídia, no caso, as reduções nas taxas de juros, o controle da ainda estável inflação, estímulo ao crédito e também o papel das desonerações buscando um estímulo ao consumo e consequentemente na demanda industrial.

O Segundo trimestre de 2012 não apresentou grandes mudanças em relação aos últimos trimestres, e as maiores surpresas estão no Comércio Exterior, onde no mês de Junho presenciou-se queda nos índices de quantidade tanto nas importações quanto nas exportações. O emprego manteve-se num patamar estável, enquanto a produtividade oscilou em torno de sua média de acordo com certa sazonalidade.

Um dos índices mais preocupantes na conjuntura atual, a Produção Física Média, por se tratar do principal meio de medir a atividade da Indústria, manteve a tendência de queda que já acontece a sucessivos meses. A situação torna-se mais preocupante ao ver que em Junho de 2012 o índice chegou a seu menor nível desde o início de 2010. No entanto, a queda não tem sido tão vertiginosa quanto no período de Julho até Novembro de 2011. Ao se comparar o desempenho da Indústria geral entre o primeiro e segundo trimestre de 2012, percebe-se queda de 1,2 pp. e a queda mais acentuada entre os meses de abril e maio, em 9 pp.

Gráfico 1

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Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Analisando a Produção Física Média entre as categorias de uso, verifica-se que mesmo com a queda na Indústria geral, um dos mais importantes setores elevou-se no Segundo trimestre, os Bens de Capital. Entre os meses de Março e Abril o crescimento alcançou os 4,71 p.p. e, mantendo-se praticamente constante em Maio para ter outro ligeiro crescimento em Junho (0,26 p.p.). Por sua vez, os Bens de Consumo Duráveis fizeram movimento oposto, acumulou queda nos meses de maio e junho, fechando o trimestre em queda. Os Bens Intermediários oscilaram no trimestre sofrendo queda em Abril e Maio, mas acabou se recuperando e fechando o trimestre em patamar superior ao que iniciou.

Gráfico 2

industria2012.2graf2.JPG

Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Outro meio importante de se tirar conclusões sobre a Indústria doméstica é a utilização da capacidade instalada. Nela delimita-se o nível de uso dos recursos de produção dentro da economia. Mediante este fato, é plausível reafirmar a desaceleração da Indústria brasileira; os níveis estão em queda há um longo período, no entanto, estão numa queda menos vertiginosa no Segundo trimestre de 2012.

Ao fechar o mês de Junho no valor de 80,8%, o índice igualou o pior resultado desde o mês de fevereiro de 2010. No entanto, é comum a UCI aumentar no Segundo semestre do ano e, portanto, há sinais de recuperação.

Gráfico 3

industria2012.2graf3.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Mesmo com o rendimento baixo na produção, a Produtividade da Indústria não sofreu tanto. As horas pagas sofreram redução de magnitude semelhante. Evidencia-se que essa situação não é favorável, pelo fato de estar em proporção semelhante, no entanto, em níveis mais baixos. Podem-se perceber também desempenhos extraordinários nos meses de Dezembro e Janeiro dos anos, com enormes variações positivas.

Como registrado anteriormente ao se calcular o índice de produtividade, as horas trabalhadas na produção estão oscilando em certa magnitude, o que evidencia a falta de produtividade da economia brasileira ao se contrastar com a Produção Física. Ao se calcular Produtividades Médias, por meio do cálculo da Média Móvel Mensal também se evidenciou a perda de produtividade que vem assolando a economia brasileira. Há o questionamento de que a perda de produtividade, somado aos aumentos salariais, tem papel relevante nas pressões inflacionárias atuais. No caso, os salários estariam acima da Produtividade Média provocando a perda da margem de lucro dos empresários e reduzindo a competitividade dos produtos internos, além de aquecer a demanda interna do país acima do normal.

Gráfico 4

industria2012.2graf4.JPG

Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Gráfico 5

industria2012.2graf5

Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Um interessante fato observado é como o emprego se mantém constante ao mesmo passo em que a produtividade média e a Produção Física estão em queda. Esse fato é um dos objetivos do governo ao tentar estimular a demanda através do consumo, no entanto, há chance de choque inflacionário. Contudo, não podemos ser tão otimistas em relação ao emprego, pois os níveis observados no segundo trimestre de 2012 são menores que o do mesmo período do ano anterior, mas ainda estão em patamar desejável.

O emprego na indústria na passagem do primeiro para o segundo trimestre desse ano, registrou uma queda de 6%, valor considerável frente aos resultados anteriores mais próximos. No entanto, ao longo do trimestre recuperou-se com taxas de 1% (Maio) e 3% (Junho), mas não suficientes para retornar ao nível antes estabelecido no final do trimestre anterior. Vale ressaltar que mesmo com o desempenho ruim da produção, o emprego manteve desempenho considerável, contribuindo para manter o nível de atividade da economia estável. A manobra usada para contornar a perda constante da participação da indústria no PIB é de manter a economia aquecida pelo consumo.

Gráfico 6

industria2012.2graf6.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Como já mencionado as horas trabalhadas, que acompanham as horas pagas, têm oscilado em torno de uma média que tem se reduzido gradativamente. Essa constância evidencia a perda de produtividade da indústria doméstica. Tratando especificamente do segundo trimestre, os 2 primeiros meses tiveram queda de 0,6 (Março) e 1,3 (Abril), contudo, em Maio houve um desempenho surpreendente variando positivamente na magnitude de 1,8.

Gráfico 7

industria2012.2graf7.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Nas informações do mercado externo, tanto as exportações quanto as importações em seu índice quantum apresentaram no mês de Junho retração em, praticamente, todas as categorias de uso. No entanto, deve-se lembrar de que o mês imediatamente anterior, referente a maio, obteve aumentos em todas as categorias, sem exceções. A única categoria que não caiu em junho foram a dos Bens de Capital que, na verdade, ficou constante.

Muito dessa queda na quantidade exportada pode ser atribuída à ainda iminente crise nos países da Europa e alguns do MERCOSUL como, por exemplo, a Argentina. Mesmo esses países estando perdendo espaço na pauta de exportação do Brasil, ainda têm parcela considerável.

Nas importações, destaca-se a queda nos bens de consumo duráveis e também os Bens de Capital. Esses tipos de bens são os que têm maior participação nas importações e destacam a necessidade do Brasil de importar produtos de média-alta tecnologia. Ressaltando que esse fato não é recente e perpetua-se esse problema crônico ao longo da história do Brasil. Percebe-se que os Bens de Capital são os que menos oscilam na série histórica e, portanto, que sempre apresentam uma demanda semelhante. (gráficos 10 e 11 abaixo)

Gráfico 8

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria

Gráfico 9

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria

Boletim de Análise da Política Fiscal 1ºsemestre de 2012

Reginaldo Carvalho
Orientador: Victor Araújo

 1.      DÍVIDA PÚBLICA

A dívida líquida do setor público (DLSP) iniciou 2012 em elevação, alcançando 37,6% do PIB no mês de fevereiro, apresentando variação de 1,2 pp. com relação ao último mês de 2011 e -1,2 pp. quando comparado ao mesmo mês de 2011. O mês de março significou uma inflexão nesta trajetória, com queda de 1 p.p, fechando o trimestre em 36,6% do PIB. (Gráfico 1.1)

Cabe ressaltar que a DLSP é a diferença entre o valor total da dívida bruta descontados os ativos e é, por convenção, o principal indicador de solvência do Estado. Como veremos adiante, a sua dinâmica tem sido determinada essencialmente pelos ajustes cambiais, ao contrário do que se pensa que é por aumento de gastos governamentais ou pelos juros nominais. A análise dos condicionantes permitirá perceber este movimento.

Gráfico 1.1

Image

Fonte: BCB. Elaboração própria.

De acordo com o gráfico 1.2, o comportamento volátil da relação DLSP/PIB a partir do segundo semestre de 2011 pode ser atribuído ao ajuste cambial – nos dois primeiros meses a contribuição foi positiva em 1,2 pp. e em março a contribuição foi negativa em –0,8 pp. Este comportamento decorreu do comportamento também volátil da taxa de câmbio, que se valorizou nos dois primeiros meses do ano – passando de R$ 1,8362/US$ em dezembro/2011 para R$ 1,7178/US$ em fevereiro, e para R$ 1,7947/US$ em março. Apesar de apenas uma parte residual da dívida pública ser atrelada à taxa de câmbio (gráfico 1.3), a influência desta variável sobre a DLSP decorre do fato do governo brasileiro ter tornado-se credor líquido em moeda estrangeira desde 2006, isto é, acumulou mais ativos em moeda estrangeira do que dívida. As reservas internacionais, principal ativo denominado em moeda estrangeira, alcançaram US$ 365 bilhões (aproximadamente R$ 655 bilhões) no final do primeiro trimestre de 2012. Ao longo desse período, a dívida externa líquida do setor público passou de -R$379 bilhões (10% do PIB) em janeiro de 2011 para -R$547,5 bilhões (13% do PIB) em março de 2012 (Gráfico 1.4).

Gráfico 1.2

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Fonte: BCB. Elaboração própria.

Gráfico 1.3

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Fonte: BCB. Elaboração própria.

Gráfico 1.4

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Fonte: BCB. Elaboração própria.

Como vimos no gráfico 1.2, os demais fatores condicionantes não provocaram surpresas até este primeiro trimestre de 2012. O pagamento de juros nominais foi o único que contribuiu positivamente na DLSP/PIB, com 1,4 pp., distribuídos uniformemente para cada mês. A queda da participação da taxa Selic no estoque de títulos públicos federais no período estudado – de 35% para 27% – é outro dado digno de destaque (gráfico 1.3), pois evidencia a procura por títulos que ofereçam remuneração alternativa em um contexto de queda da taxa básica de juros.

Já o superávit primário, por definição, contribuiu negativamente na DLSP/PIB em -1,1 pp. A maior parte deste resultado é proveniente do governo central, que contribuiu com 72% do superávit (gráfico 1.5). Em seguida, vêm os governos regionais (estaduais e municipais), com 26%, e as empresas estatais, com 2%. Desde 2009, Petrobras e Eletrobras estão excluídas desta contabilidade.

Por fim, o crescimento do PIB, parte do denominador de nosso principal indicador, também contribuiu negativamente em 0,5 pp. Esta contribuição tem sido declinante, refletindo os impactos da desaceleração ocorrida no período, e torna a favorecer mais no começo do ano de 2012.

Todos esses fatores combinados geraram uma queda líquida da dívida em relação ao PIB de 1,0 pp. no final do trimestre.

 

Gráfico 1.5

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Fonte: BCB. Elaboração própria.

2.      CARGA TRIBUTÁRIA FEDERAL

No primeiro trimestre de 2012, as receitas federais, compostas pelos impostos, taxas e contribuições no âmbito federal, tiveram seu maior peso dado pelas receitas previdenciárias (28%) seguidas pelo Imposto de Renda (27%). Cofins[1] aparece representando 16% das receitas federais e, ainda, a CSLL[2] e o IPI[3] representaram 6% e 5%, respectivamente. As demais receitas – IOF, PIS/PASEP, imposto de importação, CPMF, CIDE e ainda outros tributos – somadas, representam 18% do total. (Gráfico 2.1)

Gráfico 2.1

Image

Fonte: BCB. Elaboração própria.

A arrecadação bruta federal neste primeiro trimestre de 2012 cresceu 7,32% se comparado ao mesmo período de 2011 e o imposto que mais colaborou com esse fato foi a CSLL – que cresceu, aproximadamente, 15% – seguido pelas receitas previdenciárias, que cresceu 9,3%. (Tabela 2.1)

Tabela 2.1

Arrecadação Bruta das Receitas Federais

Taxa de crescimento nominal (%) – (I/2011 – I/2012)

IR

IPI

Cofins

CSLL

Rec. Previdenciárias

Total

7,56

0,97

0,30

14,93

9,28

7,32

Fonte: BCB

 

 

3.      DESPESAS DO GOVERNO

A despesa primária total do Tesouro Nacional saltou de R$142,5 bilhões no primeiro trimestre de 2011 para R$158 bilhões no mesmo período de 2012, o equivalente a 11,3% em termos nominais. Entretanto, as despesas primárias como proporção do PIB permanecem estáveis em torno de 15% no primeiro trimestre de 2012. (Gráfico 3.1)

A maior parte da composição das despesas governamentais é dada pelo custeio da máquina pública (custeio e capital) – as despesas necessárias à prestação de serviços públicos e à manutenção da ação da administração pública e as realizadas com o propósito de formar e/ou adquirir ativos reais, respectivamente[4] – representando, neste primeiro trimestre de 2012, 32,5% do total. No terceiro trimestre de 2011, quando ocorreram as variações significantes, chegou a atingir 37%. As despesas com transferências a estados e municípios, que atingiu nesse mesmo trimestre, 24%, terminou o primeiro trimestre de 2012 representando 29% do total das despesas. (Gráfico 3.2)

A despesa total da União no primeiro trimestre de 2012 cresceu 11% se comparado ao mesmo período de 2011 sendo determinado, principalmente, pelo crescimento do investimento em 22%. Outro fator que contribuiu bastante com a elevação das despesas totais foram as despesas de custeio e capital, que cresceram 16%. (Tabela 3.1)

Gráfico 3.1

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Fonte: BCB. Elaboração Própria.

Gráfico 3.2

Image

Fonte: BCB. Elaboração Própria.

Tabela 3.1

Despesas do Tesouro Nacional

Taxa de crescimento nominal (%) – (I/2011 – I/2012)

Transferências a

Pessoal e

Investimento

Custeio e

Transferência

Total

estados e

encargos

capital

do TN

municípios

 

 

ao Bacen

 

10,08

3,30

22,21

16,09

11,46

11,00

Fonte: BCB

Segundo dados do SIAFI, que podemos ver no gráfico 3.4, quando separadas as despesas da União por função, a despesa com a previdência social representa a maior parte do total: 62,5%. As despesas com educação representam 4,5%, a quarta maior participação de todas as funções, perdendo apenas para as despesas com saúde (6,3%) e com a assistência social (8,5%), além das despesas com a previdência social.

Cabe ressaltar que esses dados englobam apenas os dois primeiros meses de 2012 e, ainda, que estão exclusos dos cálculos os encargos especiais e o refinanciamento da dívida. O primeiro é aquele que engloba todas as despesas sobre as quais não se pode associar a um bem ou serviço gerado no processo produtivo, como por exemplo, dívidas, ressarcimentos, indenizações entre outros, sendo, portanto, uma agregação neutra[5] – representa 61% dos gastos totais exceto o refinanciamento, com R$159 bilhões. Desta forma, quando excetuamos esses encargos, temos uma análise mais real sobre o que está sendo direcionado a cada uma das demais funções mais importantes. Também é importante citar que o gasto total com refinanciamento da dívida nesses dois primeiros meses de 2012 chegou a R$132 bilhões e, portanto, o gasto geral do governo nesse período foi de R$393 bilhões.

Gráfico 3.5

Image

Fonte: SIAFI – STN/CCONT/GEINC. Elaboração própria


[1] Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

[2] Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

[3] Imposto sobre Produto Industrializado

[4] Conceito definido pelo Ministério da Fazenda

[5] Conceito retirado do glossário da página http://www.portaldatransparencia.gov.br.

Balança Comercial – 1º Trimestre/2012

Luhan Martins Reigoto

O saldo da Balança Comercial no primeiro trimestre de 2012 foi de US$ 2,4 bi, sofrendo uma forte redução, de 22,39%, se comparado ao mesmo período do ano passado. As exportações somaram, no mesmo período, US$ 55 bi e marcaram um crescimento de 7,51% em relação ao primeiro trimestre de 2011. As importações totalizaram US$ 52,6 bi, com ampliação de 9,46% na comparação com o acumulado dos meses de janeiro, fevereiro e março do ano passado. A corrente de comércio foi de US$ 107,7 bi, com elevação de 8,46% frente ao primeiro trimestre de 2011. (Vide gráfico 1).

Gráfico 1

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Destaque para as exportações de produtos básicos (+7,61%), produtos manufaturados (+7,62%) e de produtos semimanufaturados (+4,00%). (Vide gráfico 2).

Destaque para as importações de bens de capital (+7,54%), de bens de consumo duráveis (+7,48%), de bens de consumo não duráveis (+22,14%), de combustíveis e lubrificantes (+18,69%) e de matérias-primas e produtos intermediários (+5,96%). (Vide gráfico 3).

Gráfico 2

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As exportações de produtos básicos alcançaram US$ 24,5 bi com expansão de 7,61% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. As exportações de produtos manufaturados somaram US$ 21,5 bi, mostrando evolução de 7,62% em relação ao mesmo período de 2011. As exportações de produtos semimanufaturados contabilizaram US$ 7,6 bi, crescendo 4% frente ao acumulado de janeiro, fevereiro e março do ano passado. As transações especiais foram de US$ 1,4 bi, com variação positiva de 26,62% do primeiro trimestre do ano corrente para o de 2011.

As tabelas a seguir, 1 e 2, deixam mais claro quais os principais produtos exportados pelo Brasil no trimestre e seus principais países destino.

Tabela 1

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 2

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Gráfico 3

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

As importações de bens de capital totalizaram US$ 11,5 bi e apresentaram evolução de 7,54% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. As importações de bens de consumo duráveis representaram US$ 5,5 bi, com uma variação positiva de 7,48% frente ao mesmo período de 2011. As importações de bens de consumo não duráveis somaram US$ 4,4 bi, mostrando uma ampliação de 22,14% em relação ao respectivo trimestre do ano anterior. As importações de combustíveis e lubrificantes foram de US$ 8 bi, com crescimento de 18,69% frente ao acumulado de janeiro, fevereiro e março do ano passado. As importações de matérias-primas e produtos intermediários contabilizaram US$ 23,3 bi, com variação positiva de 5,96% em relação ao primeiro trimestre de 2011.

Nas tabelas a seguir, 3 e 4, podem ser vistos os principais produtos importados pelo nosso país e as principais nações fornecedoras.

Tabela 3

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Tabela 4

Fonte: MDIC/SECEX. Elaboração própria.

Gráfico 4

Fonte: BCB. Elaboração própria.

A taxa de câmbio média do trimestre foi de R$ 1,77, com uma depreciação do real frente ao dólar de 6,03%, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Depreciação essa que favorece as exportações, deixando mais baratos os produtos brasileiros no exterior, e desfavorece as importações, pois os produtos importados ficam mais caros dentro do Brasil. A tendência de alta da moeda norte americana se confirma para o segundo trimestre de 2012.

Gráfico 5

Fonte: IBGE. Elaboração própria.

A inflação verificada no primeiro trimestre do ano corrente foi de 1,22%, mostrando redução em 1,2 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa redução, se mantida a tendência, mostra a possibilidade da taxa de inflação ao longo do ano convergir para o centro da meta estipulada pelo Banco Central do Brasil, que é de 4,5% ao ano.

Mercado de Trabalho – 1º Trimestre

 André Salomão
Jean Joel

1 – TAXA DE ATIVIDADE E DESEMPREGO

            A taxa de atividade (gráfico 1) registrada no 1º trimestre de 2012 retomou o ritmo de crescimento registrado no mesmo período de 2009 e 2010 e interrompido no 1º trimestre de 2011. Houve uma elevação sutil de 0,17 p.p. (de 56,73 para 56,90%) entre os trimestres de 2011/2012, com destaque para a região metropolitana de Salvador, com um recuo de 2,03p.p.. Recife ainda ostenta o posto de menor índice de atividade (50,20%), contrastando mais de 10 p.p. com a RM de Belo Horizonte (60,17%), o maior índice. Rio de Janeiro registrou o maior aumento (+1,07 p.p.); São Paulo apresentou pequena baixa (-0,23 p.p.), Recife boa ascendência (+1,00 p.p.). É importante registrar as oscilações das regiões metropolitanas paulista e carioca, considerando que elas compõem 65,63% da população economicamente ativa (RJ: 23,93%; SP: 41,70%). Ampliando a análise para faixa etária, a taxa de atividade entre 25 a 49 anos registrou maior evolução (+0,005 p.p.), apesar de pequena. Todas as faixas oscilaram sutilmente, sem qualquer destaque específico.

Gráfico 1

Fonte: PME/IBGE. Elaboração Própria.

Em comparação aos trimestres correspondentes anteriores, o atual registrou a menor taxa de desemprego (ou desocupação, ver gráfico 2) desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, em 2002. O recorde, estabelecido em 5,80%, varia 0,53 p.p. negativamente em relação ao primeiro trimestre de 2011 (6,33%). Desagregando este número por RMs, Salvador demonstra o melhor desempenho, com recuo de 2,43 p.p., deixando no outro extremo Rio de Janeiro, única RM que marcou aumento (+0,77 p.p.). A região gaúcha ainda mantém a menor taxa (4,40%), com Belo Horizonte aproximando seus resultados (4,77%); em Salvador, persistiu a maior taxa (8,07%), apesar da substantiva redução.

Gráfico 2

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Por faixa etária, a maior redução foi assinalada entre 18 e 24 anos (-0,93 p.p.), marcando uma amplitude de 0,79 p.p. em relação ao menor recuo, verificado entre 50 anos ou mais (-0,14 p.p.). Lembra-se aqui que para as faixas de maior taxa de atividade, variações, mesmo que irrisórias, podem ser mais relevantes na análise; desta maneira, registra-se para 18 a 24 anos 13,23% de desemprego, variando -0,93 p.p., e 4,83% para 25 a 49 anos, com -0,23 p.p. de oscilação. Avaliando por grau de instrução, percebe-se que aqueles com 8 a 10 anos de estudo apresentaram maior taxa de desocupação (7,83%), apesar de descreverem recuo em comparação ao mesmo trimestre de 2011 (-0,40 p.p.). Para a faixa sem instrução ou com menos de 8 anos de estudo o índice registrou seu menor patamar (4,37%), apresentando a maior variação negativa (-0,70 p.p.).

Os dados elaborados pelo Dieese na PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) indicam mesma tendência verificada na PME, marcando o menor valor para o desemprego aberto até então (7,77%), menor 0,10 p.p. em comparação ao 1° trimestre de 2011. Porém, convém pontuar que a PED também produz informações acerca do desemprego oculto[1] (2,37%), que variou -0,46 p.p. na relação dos períodos equivalentes. No gráfico abaixo, apresenta-se o dado composto, qual seja a incorporação do desemprego oculto ao agregado aberto, registrando média de 10,13%, 0,57 p.p. menor em relação ao mesmo período de 2011. Percebe-se, no entanto, que o mês de março deste ano registrou aumento em relação ao do ano passado (+0,10 p.p.).

Gráfico 3

Fonte: PED/Dieese. Elaboração própria.

2 – OCUPAÇÃO E INFORMALIDADE

Como poderia ser inferido dos dados apresentados anteriormente, houve um robusto crescimento do número médio de ocupados (+1,85%) em comparação ao trimestre equivalente de 2011, o que implicou na criação de aproximadamente 409.000 postos de trabalho na relação entre os dois anos. Em termos absolutos de ocupação, todos os meses do trimestre foram superiores aos do período anterior.

Gráfico 4

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Analisando a evolução dos números por RM, todas as regiões sustentaram bons números. Recife registrou o maior acréscimo (+5,60%), precedida por Belo Horizonte e Rio de Janeiro (+3,55% e +1,71%, respectivamente).

Desagregando os dados conforme a distribuição setorial[2], com exceção dos serviços domésticos e outras atividades, que apresentaram recuos de 3,75% e 1,28% respectivamente, todos os outros setores apresentaram crescimento. São eles: construção (+5,95%), intermediação financeira (+4,34%), administração pública (+2,81%), comércio (+1,62%), outros serviços (+0,97%) e indústria (+0,37%). Lembra-se que na indústria teve um crescimento aquém dos seus desempenhos anteriores.

Gráfico 5

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

O peso dos setores em relação à população ocupada configurou-se da seguinte maneira: comércio (18,83%), indústria (16,21%), intermediação financeira (16,21%), administração pública (15,88%), construção (7,82%), outros serviços (17,87%), serviços domésticos (6,64%) e outras atividades (0,53%).

Quando realizamos o contraste a longo prazo das variações, nos primeiros trimestres, do peso relativo dos setores – ou seja, o quanto um setor aumentou ou diminiu seu peso na PO, estabelecendo como base fixa o 1° trimestre de 2003 (primeiro dado disponível da PME) – observamos no gráfico 6 que as tendências foram confirmadas: a intermediação financeira aumentou sua participação no agregado (+ 3,03 p.p.), enquanto indústria e comércio recuaram, respectivamente, -1,33 e -1,67 p.p..

Gráfico 6

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Considerando a população ocupada referente à posição, este trimestre confirma a tendência observada em 2011: houve um aumento de 481 mil, comparado ao primeiro trimestre de 2011, de empregados trabalhando com carteira assinada, um acréscimo de 4,13%. A formalização dos postos de trabalho é acompanhada, consequentemente, pela redução de empregados sem carteira assinada – na comparação com o trimestre equivalente, ocorreu uma diminuição de 226 mil pessoas nesta situação (-5,98%).  Em relação ao grau de informalidade (gráfico 7), o trimestre registrou o menor patamar já avaliado (34,11%), recuando 1,51 p.p. em comparação ao de 2011. Destaque especial para o mês de fevereiro, que contabilizou o menor índice desde o início da PME (33,80%).

Gráfico 7

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

3 – SALDO DE EMPREGADOS

O Ministério do Trabalho e Emprego através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que trabalha com dados formais – só leva em consideração as contratações e demissões registradas na Carteira de Trabalho com base na CLT – nos fornecendo o saldo de empregados.

O saldo de empregados (gráfico 8) ao longo do trimestre foi de 381.241. Olhando para o mesmo trimestre em 2011, temos 525.565 como saldo. Estes resultados mostram uma redução de 27,46% na comparação do saldo de empregados nos trimestres equivalentes.

Gráfico 8

Fonte: MTE/CAGED. Elaboração própria.

As admissões no trimestre contabilizaram 5.332.679, crescendo 2,29% na comparação ao período similar de 2011, que registrou 5.213.511 admissões. As demissões totalizaram 4.951,438, evoluindo 5,62% em relação ao primeiro trimestre de 2011, que somou 4.687.946.

4 – RENDIMENTO MÉDIO REAL E MASSA SALARIAL

O rendimento médio real habitualmente recebido neste trimestre apresentou um aumento de 4,25% em relação ao trimestre correspondente do ano passado, alcançando R$ 1.715,16 aproximadamente, um incremento de cerca de R$ 69,86.

Gráfico 9

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.

Na análise por RMs, comparando os trimestres equivalentes, Salvador lidera a lista de crescimento, incorporando impressionantes 17,73% de aumento (R$ 226,61), seguido por Belo Horizonte (7,55% ou R$ 115,00) e São Paulo (4,76% ou R$ 82,97), com Porto Alegre como a única RM que registrou defasagem no rendimento (-0,29% ou perda de R$ 4,63). São Paulo ostenta o melhor rendimento real médio (R$ 1.824,67), sucedido pelo Rio de Janeiro, com R$ 1.796,34; do outro lado, Recife manteve-se com o menor, cerca de R$ 1.226,36.

Abrindo por distribuição setorial, o setor de conta própria apresentou o maior aumento (4,85% ou R$ 68,58), mas tendo o menor rendimento entre os setores (R$ 1.484,09). O setor privado registrou um crescimento de 4,34% (R$ 63,12) com rendimento de R$ 1.516,00, e o setor público ostenta o maior rendimento de R$ 2.747,26, mas com o menor crescimento 3,51% (R$ 93,21).

Em relação à massa salarial (ver gráfico 10), 2011 alcançou a maior média dos primeiros trimestres até então, fixada em R$ 38,75 bilhões. Todos os meses do trimestre registraram variações percentuais positivas em relação aos meses correspondentes do ano anterior, com destaque para março, com acréscimo de 7,30%. Ressalta-se também que o desempenho deste mês marcou R$ 39,41 bilhões, o maior valor já registrado deste dado na PME.

Gráfico 10

Fonte: PME/IBGE. Elaboração própria.


[1] O Diesse divide o desemprego oculto em duas categorias: pelo Trabalho Precário, englobando pessoas que, para sobreviver, exerceram algum trabalho, de auto-ocupação, de forma descontínua e irregular, ainda que não remunerado em negócios de parentes e, além disso, tomaram providências concretas, nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou até 12 meses atrás, para conseguir um trabalho diferente deste; e pelo Desalento, incluindo pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses.

[2] Os setores da economia são divididos da seguinte maneira: indústria, água, luz e gás; construção; reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos e comércio de combustíveis; serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e financeiras; educação, saúde e serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social; serviços domésticos; alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais; e outras atividades. Para efeito de organização, convencionou-se nomeá-los, respectivamente, como indústria, construção, comércio, intermediação financeira, administração pública, outros serviços e outras atividades.

Análise de Conjuntura da Indústria – 2° Trimestre de 2012

Felipe Moraes

Orientadora: Lérida Povoleri

A grande expectativa de a Indústria brasileira retomar o crescimento ainda não foi alcançada, mesmo com inúmeros esforços das grandes instituições públicas visando reaquecer a economia nacional. Dentre os principais estímulos estão aqueles que mais são comentados na mídia, no caso, as reduções nas taxas de juros, o controle da ainda estável inflação, estímulo ao crédito e também o papel das desonerações buscando um estímulo ao consumo e consequentemente na demanda industrial.

O Segundo trimestre de 2012 não apresentou grandes mudanças em relação aos últimos trimestres, e as maiores surpresas estão no Comércio Exterior, onde no mês de Junho presenciou-se queda nos índices de quantidade tanto nas importações quanto nas exportações. O emprego manteve-se num patamar estável, enquanto a produtividade oscilou em torno de sua média de acordo com certa sazonalidade.

Um dos índices mais preocupantes na conjuntura atual, a Produção Física Média, por se tratar do principal meio de medir a atividade da Indústria, manteve a tendência de queda que já acontece a sucessivos meses. A situação torna-se mais preocupante ao ver que em Junho de 2012 o índice chegou a seu menor nível desde o início de 2010. No entanto, a queda não tem sido tão vertiginosa quanto no período de Julho até Novembro de 2011. Ao se comparar o desempenho da Indústria geral entre o primeiro e segundo trimestre de 2012, percebe-se queda de 1,2 pp. e a queda mais acentuada entre os meses de abril e maio, em 9 pp.

Gráfico 1

industria2012.2graf1.JPG

Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Analisando a Produção Física Média entre as categorias de uso, verifica-se que mesmo com a queda na Indústria geral, um dos mais importantes setores elevou-se no Segundo trimestre, os Bens de Capital. Entre os meses de Março e Abril o crescimento alcançou os 4,71 p.p. e, mantendo-se praticamente constante em Maio para ter outro ligeiro crescimento em Junho (0,26 p.p.). Por sua vez, os Bens de Consumo Duráveis fizeram movimento oposto, acumulou queda nos meses de maio e junho, fechando o trimestre em queda. Os Bens Intermediários oscilaram no trimestre sofrendo queda em Abril e Maio, mas acabou se recuperando e fechando o trimestre em patamar superior ao que iniciou.

Gráfico 2

industria2012.2graf2.JPG

Fonte: IBGE – Índice Base fixa 2002=100 – Elaboração própria

Outro meio importante de se tirar conclusões sobre a Indústria doméstica é a utilização da capacidade instalada. Nela delimita-se o nível de uso dos recursos de produção dentro da economia. Mediante este fato, é plausível reafirmar a desaceleração da Indústria brasileira; os níveis estão em queda há um longo período, no entanto, estão numa queda menos vertiginosa no Segundo trimestre de 2012.

Ao fechar o mês de Junho no valor de 80,8%, o índice igualou o pior resultado desde o mês de fevereiro de 2010. No entanto, é comum a UCI aumentar no Segundo semestre do ano e, portanto, há sinais de recuperação.

Gráfico 3

industria2012.2graf3.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Mesmo com o rendimento baixo na produção, a Produtividade da Indústria não sofreu tanto. As horas pagas sofreram redução de magnitude semelhante. Evidencia-se que essa situação não é favorável, pelo fato de estar em proporção semelhante, no entanto, em níveis mais baixos. Podem-se perceber também desempenhos extraordinários nos meses de Dezembro e Janeiro dos anos, com enormes variações positivas.

Como registrado anteriormente ao se calcular o índice de produtividade, as horas trabalhadas na produção estão oscilando em certa magnitude, o que evidencia a falta de produtividade da economia brasileira ao se contrastar com a Produção Física. Ao se calcular Produtividades Médias, por meio do cálculo da Média Móvel Mensal também se evidenciou a perda de produtividade que vem assolando a economia brasileira. Há o questionamento de que a perda de produtividade, somado aos aumentos salariais, tem papel relevante nas pressões inflacionárias atuais. No caso, os salários estariam acima da Produtividade Média provocando a perda da margem de lucro dos empresários e reduzindo a competitividade dos produtos internos, além de aquecer a demanda interna do país acima do normal.

Gráfico 4

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Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Gráfico 5

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Fonte: IBGE – Produção Física: Índice Base Fixa 2002=100- Horas Pagas: Índice base Fixa 2001=100 – Elaboração própria

Um interessante fato observado é como o emprego se mantém constante ao mesmo passo em que a produtividade média e a Produção Física estão em queda. Esse fato é um dos objetivos do governo ao tentar estimular a demanda através do consumo, no entanto, há chance de choque inflacionário. Contudo, não podemos ser tão otimistas em relação ao emprego, pois os níveis observados no segundo trimestre de 2012 são menores que o do mesmo período do ano anterior, mas ainda estão em patamar desejável.

O emprego na indústria na passagem do primeiro para o segundo trimestre desse ano, registrou uma queda de 6%, valor considerável frente aos resultados anteriores mais próximos. No entanto, ao longo do trimestre recuperou-se com taxas de 1% (Maio) e 3% (Junho), mas não suficientes para retornar ao nível antes estabelecido no final do trimestre anterior. Vale ressaltar que mesmo com o desempenho ruim da produção, o emprego manteve desempenho considerável, contribuindo para manter o nível de atividade da economia estável. A manobra usada para contornar a perda constante da participação da indústria no PIB é de manter a economia aquecida pelo consumo.

Gráfico 6

industria2012.2graf6.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Como já mencionado as horas trabalhadas, que acompanham as horas pagas, têm oscilado em torno de uma média que tem se reduzido gradativamente. Essa constância evidencia a perda de produtividade da indústria doméstica. Tratando especificamente do segundo trimestre, os 2 primeiros meses tiveram queda de 0,6 (Março) e 1,3 (Abril), contudo, em Maio houve um desempenho surpreendente variando positivamente na magnitude de 1,8.

Gráfico 7

industria2012.2graf7.JPG

Fonte: CNI – Elaboração própria

Nas informações do mercado externo, tanto as exportações quanto as importações em seu índice quantum apresentaram no mês de Junho retração em, praticamente, todas as categorias de uso. No entanto, deve-se lembrar de que o mês imediatamente anterior, referente a maio, obteve aumentos em todas as categorias, sem exceções. A única categoria que não caiu em junho foram a dos Bens de Capital que, na verdade, ficou constante.

Muito dessa queda na quantidade exportada pode ser atribuída à ainda iminente crise nos países da Europa e alguns do MERCOSUL como, por exemplo, a Argentina. Mesmo esses países estando perdendo espaço na pauta de exportação do Brasil, ainda têm parcela considerável.

Nas importações, destaca-se a queda nos bens de consumo duráveis e também os Bens de Capital. Esses tipos de bens são os que têm maior participação nas importações e destacam a necessidade do Brasil de importar produtos de média-alta tecnologia. Ressaltando que esse fato não é recente e perpetua-se esse problema crônico ao longo da história do Brasil. Percebe-se que os Bens de Capital são os que menos oscilam na série histórica e, portanto, que sempre apresentam uma demanda semelhante. (gráficos 10 e 11 abaixo)

Gráfico 8

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria

Gráfico 9

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Fonte: FUNCEX – Índice Base fixa 2006=100 – Elaboração própria

Boletim da Conjutura

Análise conjuntural do Setor Externo – 2º trimestre de 2011.
Luhan Martins Reigoto

Gráfico 1

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração própria.

O saldo da Balança Comercial no acumulado do segundo trimestre de 2011 foi de US$ 9.808,82 (milhões), ou seja, 40,08% maior em relação ao mesmo período de 2010. Porém, se comparado ao segundo trimestre de 2009, sofreu uma redução de 10,17%, de US$ 10.920,71 (milhões) em 2009 para US$ 9.808,82 (milhões) em 2011. As exportações, no acumulado, foram de US$ 67.070,71 (milhões), um aumento de 34,25% em relação a 2010 e de 72,97% em relação a 2009, onde foi de US$ 38.773,99 (milhões).  As importações foram,  no acumulado do segundo trimestre de 2011, de US$ 57.261,90 (milhões), 33,30% e 105,58% maior que em 2010 e 2009 respectivamente.

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Boletim de Conjuntura

Boletim de Conjuntura do 1º trimestre de 2011
O PIB brasileiro apresentou resultado positivo no 1º trimestre de 2011. A economia avançou cerca de 1,3%, com base nos dados dessazonalisados, em comparação com o 4º trimestre de 2010. Este crescimento foi impulsionado pelo setor Agropecuário, o qual apresentou aumento de 3,3%, e pelo setor Industrial, cujo crescimento foi de 2,2%, na variação trimestral, juntamente com a aceleração da formação bruta de capital fixo (FBKF), que teve alta de 1,2% neste mesmo período, depois de ter apresentado crescimento trimestral de apenas 0,4% no último trimestre de 2010.
Por outro lado, nota-se que as medidas do governo para desacelerar a economia e, com isso, combater a inflação, começaram a surtir efeito. No 1º trimestre de 2011 o consumo das famílias aumentou cerca de 0,6% baseado nos dados acumulados de 12 meses, registrando a menor alta desde o final do ano de 2008, quando o país sentia os efeitos da crise financeira. O movimento de queda do consumo das famílias nesse 1º trimestre foi, em boa parte, gerado pela redução do crédito.

Análise da Variação dos Principais componentes do PIB no 1º trimestre de 2011

O PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2011, ao ser comparado com o mesmo trimestre do ano anterior, cresceu cerca de 4,2%. Mesmo sendo considerado um resultado positivo, a taxa de crescimento do PIB vem decaindo desde o segundo trimestre de 2010.
A taxa de crescimento do PIB foi motivada pela Indústria que decresceu se comparado ao mesmo trimestre do ano de 2010 (3,4%, menor índice desde o primeiro trimestre de 2010). Outro componente para a redução do ritmo de crescimento foi o aumento das importações, que cresceram em 13,2%, ao passo em que as exportações se ampliaram em apenas 4%. Esse crescimento desigual pode ser atribuído, principalmente, à condição de supervalorização da taxa de câmbio.

Gráfico1

Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Gráfico 2
Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Análise do PIB: Ótica da Oferta

O crescimento do PIB no 1º trimestre, comparado ao mesmo período do ano passado pelos dados dessazonalisados, deveu-se ao incremento do valor adicionado dos três setores da economia brasileira. A começar pelo setor Agropecuário, que apresentou aumento de 2,7%, o qual pode ser explicado pelo aumento da produtividade e o aumento das safras das commodities.
O setor Industrial acelerou, apresentando 3,3% no 1º trimestre baseado em dados acumulados de 12 meses.As maiores expansões ocorreram na Construção Civil (5,1%) e em Eletricidade e Gás, Água e Esgoto e Limpeza urbana (4,9%). Além disso, a Indústria de Transformação cresceu 2,4%, sob influência do aumento da produção de máquinas e equipamentos; refino de petróleo e álcool; minerais não metálicos; e indústria de automóveis. Entretanto, a Extrativa Mineral apresentou a maior queda desse setor, desacelerando a expansão de 14,8% para 4,1%, comparado ao mesmo período no ano passado ,o que está relacionado à redução da demanda mundial de ferro, manganês, bauxita e cobre.

Gráfico 3

Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Gráfico 4

Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Gráfico 5


Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Nota-se que, apesar de um resultado relativamente bom, a Indústria passa por um processo de diminuição da produção, apresentando quedas significativas desde o primeiro trimestre de 2010 (15,1%) e nos períodos seguintes (13,8%; 8,4%; 4,3%), apresentando, neste trimestre, 3,4%.

Análise do PIB: Ótica da Demanda

Pelo lado da demanda interna, analisando dados dessazonalisados, o destaque se dá para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF), que cresceu 8,9% em comparação ao mesmo período do ano passado, impulsionada pela expansão da importação e da produção interna de máquinas e equipamentos.
Já o Consumo das Famílias apresentou desaceleração, pois analisando os dados trimestrais, a variação do 4º trimestre de 2010 foi de 2,35%, passando para 0,64% no 1º trimestre de 2011.
Através desta desaceleração do Consumo, notam-se o início das medidas de contenção de crédito criadas pelo governo a fim de combater a inflação. Todavia, os Gastos do Governo apresentaram aumento de 2,2% em relação ao primeiro trimestre de 2010.
Ao analisar a demanda externa, tanto as exportações quanto as importações apresentaram aumento (4,% e 13,2%, respectivamente) comparando com o mesmo período do ano passado. A taxa de crescimento das importações apresentou-se mais elevada que a das exportações devido à taxa de câmbio valorizada, fazendo com que aumente ainda mais a entrada de bens estrangeiros no país.

Gráfico 6

Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Gráfico 7


Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Análise da Composição do PIB

Composição do PIB: Ótica da Oferta

Com base nos dados referentes à composição do PIB no 1º trimestre de 2011, podemos observar que a Indústria superou o resultado do mesmo semestre de 2010 (26,21% do PIB em 2011 contra 25,51% em 2010) e mesmo o de 2008(26,10%). Durante este mesmo período, a Agropecuária respondeu por 5,74% do PIB (contra 5,86% e 6,64% em 2010 e 2008, respectivamente) ao passo em que os Serviços foram responsáveis por 68,05% do mesmo (contra os 68,63% e 67,27 e 2010 e 2008).

Gráfico 8


Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Composição do PIB: Ótica da Demanda

Voltando-nos para os componentes de Demanda do PIB, veremos que apesar do fraco crescimento apresentado pelo Consumo das Famílias durante o 1º trimestre de 2011, este não perdeu espaço na determinação se comparado ao mesmo período de 2008 e 2010. Na verdade, não apenas a participação do Consumo das Famílias no PIB cresceu do último trimestre de 2010 para o 1º de 2011 (de 59,15% para 63,37% do PIB), como também superou os valores do mesmo período de 2008 (60,77%) e 2010 (63,17%). Isto representa uma recuperação da tendência apresentada durante o ano de 2010, no qual a sua participação havia sido decrescente.
Os Gastos do Governo, reduziram sua participação durante o 1º trimestre do ano, representando 19,04% no 1º trimestre de 2011. Devemos, contudo, ressaltar que tal redução em termos relativos do PIB é a maior para esta época do ano desde 2006 (18,74%). Já os Investimentos, que responderam por 18,71% do PIB, voltaram a ampliar a sua participação em relação ao mesmo período do ano anterior, mas sem alcançar o valor relativo de 2008 (20,67%).
Por fim, a Balança Comercial voltou a ampliar o seu resultado negativo frente ao PIB e representou um saldo negativo de 1,22%.

Gráfico 9

Fonte: elaboração própria; Dados: IPEADATA

Conclusões

Com a economia brasileira registrando um crescimento do PIB de 1,3%, em comparação com o 4º trimestre de 2010, gerando cerca de R$ 939,6 bilhões e, no acumulado de 12 meses, o PIB aumentou em cerca de 6,2%.
Outro ponto para esse trimestre foi a taxa de crescimento do Consumo das Famílias ser inferior à FBKF. Esse enfraquecimento foi causado pelas medidas de restrição ao credito adotados pelo Banco Central a fim de diminuir as taxas de inflação.
O Consumo das famílias variou, em relação ao trimestre anterior, 0,6% (variação esta, inferior à apresentada no trimestre anterior quando havia sido de 2,3 %). Essas medidas de restrição adotadas afetam aos setores que dependem do crédito e, além disso, aumentou as exigências para a concessão de crédito para a pessoa física.
Ao analisar a ótica da demanda, a taxa acumulada dos 12 meses, com o ajuste sazonal, da FBKF apresentou uma desaceleração, passando de 28,7% do 1º trimestre do ano de 2010 para 8,7% no 1º trimestre de 2011. Já o Consumo das Famílias apresentou um resultado estável quanto à taxa acumulada durante o ano, mantendo-se entre 6% a 8%.
Conclui-se que houve um pequeno crescimento por parte do Consumo das Famílias na participação do PIB total passando de 59,15% em 2010 para 63,37% em 2011 na composição do PIB. Já a despesa com o Consumo da Administração pública reduziu-se relativamente à composição do PIB (24,5% no 4º trimestre de 2010 para 19,04% no 1º semestre de 2011).

Boletim de Conjuntura Monetária 2010

Boletim de Conjuntura Monetária 2010
Gabriel Miranda Pires
Rodrigo Siqueira Rodriguez
Orientador Marcelo Carcanholo

Crédito

O Saldo Mensal das Operações de Crédito tem, consecutivamente, mantido a trajetória de crescimento. Tanto os Recursos Direcionados quanto os Recursos Livres cresceram ininterruptamente ao longo dos anos 2009 e 2010. Em Janeiro de 2009, os saldos de recursos livres e direcionados foram de, aproximadamente, R$ 871 e de R$ 357 milhões de reais, respectivamente. Confirmando a tendência de crescimento, o saldo de dezembro de 2010 dos recursos livres e direcionados foram de, aproximadamente, R$ 1,115 bilhões e de R$ 589 milhões de reais, respectivamente. O Gráfico 1 demonstra o volume que os recursos livres e direcionados alcançaram. Estes superaram 1,6 bilhões de reais em setembro de 2010 e finalizaram o ano em, aproximadamente, 1,7 bilhões de reais.

Gráfico 1

Se por um lado o saldo mensal das operações com recursos livres e direcionados cresceu ininterruptamente ao longo dos últimos dois anos, por outro, deve- se analisar qual foi sua expansão em relação ao PIB. Conforme indica o Gráfico 2, a partir do início de 2010, houve uma tendência de estabilização da relação Recursos Livres/PIB. Já a relação Recursos Direcionados/PIB cresceu um pouco ao longo do ano de 2010.
O Gráfico 3 expõe as taxas de variação mensal das variáveis apresentadas no último parágrafo. A taxa de variação mensal dos recursos direcionados supera a taxa de variação mensal do PIB a partir de maio de 2010, o que explica o aumenta da relação Recursos Direcionados/PIB exposta no gráfico 2. Em relação aos recursos livres, sua taxa de variação mensal foi próxima à taxa de variação mensal do PIB, a partir de maio de 2010, o que explica a estabilização da relação recursos livre/ PIB.

Gráfico 2

Gráfico 3

Os recursos livres e direcionados se subdividem conforme apresenta o gráfico 4. Podemos perceber, ao observá-lo, quais as variáveis que mais cresceram no período. Os destaques são os recursos livres para pessoa jurídica e física, bem como os recursos direcionados pelo BNDES. O saldo mensal de recursos livres para pessoa física passou de R$ 399 milhões, em janeiro de 2009, para R$ 559 milhões em dezembro de 2010. O saldo mensal das operações de crédito para pessoa jurídica passou de R$ 472 milhões, em janeiro de 2009, para R$ 555 milhões em dezembro de 2010. Já os recursos direcionados pelo BNDES passaram de R$ 209 milhões, em janeiro de 2009, para R$ 357 milhões em Dezembro de 2010.

Gráfico 4

Ao observar qual a participação de cada um dos componentes dos recursos direcionados em relação ao seu total, percebe-se que a participação do BNDES não se altera significativamente, segundo o Gráfico 5. Mesmo com o crescimento significativo dos recursos direcionados pelo BNDES, a participação em relação ao total de recursos direcionados continua próxima a 60%. Portanto, outro componente dos recursos direcionados também foi ampliado significativamente. Ao observar o gráfico, conclui-se que este foi o recurso direcionado para habitação que, juntamente com o BNDES, expandiu consideravelmente.

Gráfico 5

Ao observar os gráficos 6 e 7, percebe-se a rigidez do spread tanto de pessoa física quanto de jurídica. O spread de pessoa jurídica mantém trajetória de queda, mas esta ainda é pequena. Já o spread para pessoa física, embora tenha caído nos primeiros meses, não se alterou significativamente nos últimos meses do ano de 2010.

Gráfico 6

Gráfico 7

Política Monetária

O primeiro semestre de 2010 foi marcado por uma tendência inflacionária e pelo aquecimento da economia. Tal fato repercutiu na decisão do COPOM ao determinar qual seria o aumento da taxa básica de juros da economia. Mesmo com o aumento do nível de atividade e na identificação de uma tendência inflacionária, foi decidido manter a selic em 8,75% nas primeiras reuniões do ano. Os membros do COPOM optaram por aguardar e observar a tendência inflacionária para decidir se realmente seria necessário elevar a taxa de juros.
Devido a pressão inflacionária, o COPOM optou por elevar a taxa básica de juros para 9,5% a.a no segundo trimestre de 2010. A continuidade da pressão inflacionária levou o COPOM a elevar a taxa básica de juros para 10,25% como forma de conter a expansão do nível de preços.
Ao deliberar a respeito da alteração da taxa básica de juros, o COPOM considera a defasagem entre a medida e seus efeitos sobre a atividade econômica. Por esta razão, a taxa básica de juros não foi alterada nos últimos meses do ano de 2010. O Comitê considerou que a elevação, sucessiva, em meados do ano ainda não foi totalmente repassada para a atividade econômica.
A defasagem da política monetária e a incerteza quanto ao cenário externo pesaram na decisão de não elevar a taxa básica de juros. A política estadunidense de ampliação da liquidez e a incerteza quanto ao restabelecimento de algumas economias centrais tornaram o cenário externo incerto para o Banco Central. Apesar de, na última reunião do ano de 2010, o Comitê identificar aceleração da inflação e, em suas projeções, a inflação passaria da meta estabelecida para o ano, preferiram manter a taxa básica de juros em 10,75%. Recorreram a outras medidas para conter a inflação. Medidas estas chamadas de macroprudenciais que envolveram alteração dos depósitos compulsórios e do aumento das reversas de capital para empréstimos a longo prazo.

Tabela 1

Relatório PIB 2010

Relatório PIB 2010
Thiago Marino Leão
Orientador : Marcelo Dias Carcanholo

O resultado apresentado pelo PIB Brasileiro ao final de 2010 pode, a primeira vista, levar a uma positiva e otimista conclusão para o ano de 2011. Na taxa acumulada em 12 meses, o PIB brasileiro alcançou um crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior e, com relação ao mesmo período, um crescimento em torno de 21,5% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF).
Outros indicadores também apresentaram resultados finais bastante positivos em 2010. Entre estes podemos citar a Indústria, com crescimento de 10,1%, e o Consumo das Famílias, com expansão de 7,0%.
Contudo, tais dados devem ser analisados com cautela. Primeiramente, devesse ressaltar a óbvia fraca base comparativa de 2009 onde a economia brasileira recuou 0,6% ao mesmo passo em que a FBKF e a Indústria apresentaram resultados negativos de 10,3% e 6,42%, respectivamente.
Além disso, sinais de desaceleração podem ser encontrados durante o ano de 2010. Em meio a um cenário de forte valorização cambial e ao combate à inflação iniciado pelo Banco Central, a Indústria apresentou desaceleração, e recuo se considerados os dados dessazonalizados, considerável desde o 3º trimestre de 2010 e, durante o mesmo período, a FBKF apresentou crescimento a taxas decrescentes.
Outro motivo de preocupação refere-se à manutenção do descompasso entre exportações e importações. Apesar do resultado bastante positivo das exportações em 2010, 11,5%, este foi mais que compensado pelas importações, 36,2%.

Análise da Variação dos Principais componentes do PIB em 2010

Durante o ano de 2010 o PIB brasileiro manteve a tendência de recuperação iniciada no 2º trimestre de 2009. Contudo, a análise trimestral revela que o dinamismo inicial não pode ser mantido.
Apesar do positivo o acumulado dos últimos 12 meses, onde a PIB apresentou um bom resultado positivo de 7,5%, o ímpeto com o qual tal resultado foi obtido começou a desacelerar já no 2º trimestre de 2010, onde cresceu 1,6%, e despencou no último semestre do ano, quando a variação trimestral caiu para 0,4% e 0,75%. Tal que da pode ser, inclusive, observada na variação da taxa acumulada através da estabilização do PIB entre o 3º e o 4º trimestres.

Gráfico 1

Gráfico 2

Apesar do resultado bastante superior ao que se previa no início do ano pelo FMI e outras organizações, as quais indicavam um possível de 5,5% para o Brasil em 2010, os últimos desempenhos do PIB são motivo de preocupação.
Passemos, então, para a análise dos componentes do PIB na tentativa de determinar possíveis causas para tal perda de ritmo e de expectativas quanto ao ano de 2011.

Análise do PIB: Ótica da Oferta

A análise da taxa acumulada dessazonalisada dos componentes de oferta do PIB em 2010 apresenta resultados otimistas. O melhor resultado fica por conta da Indústria que apresentou crescimento de 10,1% no ano, enquanto o Setor Agropecuário apresentou crescimento anual de 6,0% e o Setor de Serviços cresceu 5,4%.
No Setor de Serviços os destaques foram o Comércio e os serviços de Intermediação Financeira, os quais apresentaram uma taxa acumulada de 10,85% e 10,70%, respectivamente.
No Setor Industrial a Indústria Extrativa Mineral teve um alto desempenho global de 15,6% e a Construção Civil apresentou uma taxa acumulada de 11,75%. No mesmo período a Indústria de Transformação apresentou crescimento de 9,7%. Vale ressaltar que, no ano de 2009, a Indústria de Transformação havia apresentado o pior resultado anual, retraindo 8,22%.

Gráfico 3

Contudo, como indicado anteriormente, a análise das variações trimestrais não nos apresenta um cenário tão positivo quanto à variação anual. Com base nesta veremos que o Setor Agropecuário apresentou recuos de 1,57% e 0,79% (ajustada a sazonalidade) nos últimos trimestres de 2010.
Da mesma forma o Setor Industrial também apresentou recuos de 0,56% e 0,31% no segundo semestre. Isto refletiu uma leve desaceleração do subsetor Extrativo Mineral e, principalmente, os resultados negativos da Indústria de Transformação, a qual recuou 1,59% e 0,43% no segundo semestre.
Apesar de não ter apresentado recuos o Setor de Serviços também apresentou leve desaceleração no último semestre de 2010.

Gráfico 4

Gráfico 5

Podemos, então, perceber que apesar do bom resultado no ano, tanto a Indústria, e, neste caso, principalmente a de Transformação, quanto a Agricultura apresentaram sinais de desaceleração na segunda metade do ano de 2010.

Análise do PIB: Ótica da Demanda

Da mesma forma como ocorreu entre os componentes de Oferta do PIB, a análise da taxa acumulada pela ótica da Demanda apresenta resultados bastante positivos. Podemos observar um forte crescimento tanto do Consumo das Famílias quanto, principalmente, da FBKF (7,04% e 21,98%, respectivamente). Contudo, aqui também não devem ser tiradas conclusões precipitadas.
Devemos, em primeiro lugar, voltar a ressaltar a fraca base comparativa. Em 2009, a FBKF havia apresentado forte queda de 10,34% em sua taxa acumulada. Deve ser ressaltado, também, que a FBKF, assim como vimos nos dados de Oferta, apresentou taxas de variação decrescentes durante o ano de 2010.
Os Gastos do Governo apresentaram crescimento modesto durante o ano e encerraram 2010 com um crescimento acumulado de 3,32%. Vale observar que este índice também apresentou resultados decrescentes e, inclusive, negativos durante o segundo semestre de 2010.
Já a balança comercial continuou sendo um forte motivo de preocupação e desequilíbrio durante o ano de 2010. Apesar do bom resultado apresentado pela taxa de crescimento acumulada das Exportações (11,53%), este foi mais que compensado pelo das Importações que apresentou uma taxa acumulada de 36,19%.
Uma possível boa perspectiva para a balança comercial, entretanto, vem da análise trimestral. Apesar das oscilações, as Exportações apresentaram uma estável tendência de crescimento em 2010 enquanto as Importações cresceram a taxas decrescentes. Além disso, a taxa de variação trimestral no último trimestre de 2010 foi quase igual entre estes dois indicadores, com ligeira vantagem para as Importações (3,63% e 3,92%).

Gráfico 6

Gráfico 7

Da mesma forma como nos componentes de Oferta, podemos aqui observar uma combinação de bons índices anuais e taxas decrescentes de crescimento no que se refere à FBKF, o que serve de alerta para o ano de 2011. Tais resultados são, possivelmente, causados pela fraca base comparativa de 2009 e por medidas de combate à inflação adotadas no período.
O comércio externo também continua, como nas avaliações anteriores, a representar um desafio para a economia brasileira. Apesar da redução da taxa de crescimento das Importações ao longo do ano, possivelmente em resposta à redução da FBKF durante o mesmo, esta continua consideravelmente alta em relação às Exportações, na análise anual, e ainda apresenta um crescimento superior.

Análise da Composição do PIB

Composição do PIB: Ótica da Oferta

Comparando a participação média dos componentes de Oferta do PIB veremos que a Indústria apresentou crescimento relativo frente à Agricultura e aos Serviços. Contudo, o Setor Industrial ainda não retornou ao seu grau de participação de 2008.
Durante o ano de 2010 a Indústria respondeu por 26,79% do PIB, chegando ao seu máximo no 3º trimestre quando representou 27,94%, valor superior à média de 2008 e mais alto desde o 3º trimestre deste mesmo ano. O Setor Agropecuário recuou para 5,80% do PIB, valor inferior à média de 2008 (5,94%). Já o Setor de Serviços respondeu por 67,42% do PIB, recuando 1,11 pontos percentuais em relação à 2009, mas ainda superior à média de 2008.

Gráfico 8

Composição do PIB: Ótica da Demanda

Analisando a variação anual média dos componentes de Demanda do PIB veremos que o Consumo das Famílias continua respondendo por mais da metade do PIB (60,66%) e, apesar de ter sofrido uma pequena queda em relação à média de 2009, manteve-se acima da média de 2008. Contudo, vale ressaltar que sua participação média teve uma tendência de queda ao longo do ano (representando 63,17% no 1º trimestre e 59,15% no 4º).
Os Gastos do Governo apresentaram similar comportamento em relação às médias anuais e respondeu por 21,08%. Mas, ao contrário da tendência de queda apresentada pelo Consumo das Famílias, este apresentou participação crescente ao longo do ano (partindo de 19,95% no 1º trimestre e encerrando o ano em 24,56% do PIB).
Os Investimentos (FBKF mais as Variações de Estoque) responderam por 19,27% do PIB e ampliaram sua participação em relação à 2009, mas permaneceram abaixo da média de 2008 (20,70%). Na análise individual da FBKF, veremos que esta respondeu por 18,44% do PIB 2010 (contra 19,09% de 2008) e que na passagem do 3º para o 4º trimestre deste ano sua participação caiu de 19,43% para 17,95%.
Já a Balança Comercial ampliou seu resultado negativo em relação ao de 2009. Este saldo representou um valor negativo de 1,01% do PIB (uma redução de 0,97 pontos percentuais em relação à média de 2009). Na análise individual veremos que as Exportações reduziram minimamente sua participação relativa no PIB em relação à 2009 em 0,06 pontos percentuais e responderam por 11,12% em 2010. Já as Importações ampliaram a sua participação em 0,91 pontos percentuais e se igualaram a 12,14% do PIB em 2010.

Gráfico 9

Gráfico 10

Conclusões

Se analisarmos o ano de 2010 pelo crescimento em relação a 2009, poderemos concluir que 2010 foi um ano de grande crescimento para a economia brasileira. Com crescimento de 7,5% no PIB, 10,10% da Indústria e 21,98% na FBKF o Brasil demonstrou ser capaz de sair da crise e apresentar indicadores ainda melhores do que os esperados. Quanto a isto, entretanto, devemos nos lembrar que o ano de 2009 representa fraca base comparativa e “auxiliou” tais resultados tão expressivos.
Contudo, o ritmo de crescimento brasileiro parece estar dando sinais de esgotamento já no 3º trimestre de 2010 e sem perspectivas de melhora para 2011. O Setor Industrial e a FBKF desaceleraram e, no caso da indústria, até observou-se recuo.
No setor externo do PIB a situação também não parece favorável. Apesar de ter apresentado taxas de crescimento decrescentes (em parte devido à queda na taxa de FBKF) as Importações apresentaram crescimento sempre superior às Exportações e ampliaram o diferencial entre os dois.
Como agravante para as expectativas em relação ao ano de 2011 devem ser incluídas as expectativas de manutenção da valorização do real frente ao dólar e a adoção de medidas, tanto pelo governo quanto pelo Banco Central, para combater a possibilidade de inflação como fatores que colaborarão para a continuação da perda de dinamismo da economia brasileira.
Mantidas as tendências de 2010 e as expectativas quanto às políticas econômicas do governo brasileiro torna-se muito provável a ocorrência de fracos resultados para a economia brasileira no ano de 2011, em oposição ao alto crescimento de 2010, e uma não melhora na balança comercial.